Intervenção com MitraClip foi realizada no Hospital Beneficente da Unimar e representa avanço no tratamento minimamente invasivo da insuficiência mitral
A Unicárdio, clínica de cardiologia do Hospital Beneficente da Unimar (HBU) realizou o implante de MitraClip, uma técnica transcateter utilizada para o tratamento da insuficiência mitral, condição em que a válvula mitral não se fecha adequadamente e permite o refluxo de sangue dentro do coração.
O procedimento cardiológico inédito para a região de Marília, também realizada poucas vezes no Brasil, representa um importante avanço para a cardiologia intervencionista regional, por oferecer uma alternativa minimamente invasiva a pacientes com doença valvar grave, especialmente aqueles que apresentam alto risco para cirurgia cardíaca convencional.
A intervenção foi liderada pelo médico cardiologista intervencionista Dr. Ricardo José Tofano, com a participação de uma equipe de São Paulo formada pelos especialistas Dr. Salvador André Bavaresco Cristóvão, Dr. Maximiliano Otero Lacoste e Dr. Freddy Antonio Brito Moscoso, além do Dr. Siderval Ferreira Alves e da equipe interna da Unicárdio do Hospital Beneficente Unimar.
De acordo com cardiologista, Dr. Ricardo José Tofano, a realização do procedimento reforça a evolução da cardiologia de alta complexidade dentro da Unicárdio. “Estamos falando de uma técnica extremamente especializada, indicada para pacientes selecionados, que exige tecnologia, planejamento e uma equipe multidisciplinar muito bem alinhada. O principal ganho é ampliar as possibilidades de tratamento para pessoas que, muitas vezes, não teriam boas condições de passar por uma cirurgia cardíaca aberta”, destacou.
O MitraClip é um dispositivo implantado por cateter que aproxima os folhetos da válvula mitral, reduzindo o escape de sangue e melhorando o funcionamento do coração. Diferente da cirurgia aberta, a técnica é realizada no laboratório de hemodinâmica, por meio de acesso venoso femoral, na região da virilha, com acompanhamento em tempo real por exames de imagem, como ecocardiografia transesofágica e fluoroscopia.
“Na prática, o dispositivo funciona como um pequeno clipe que une pontos específicos da válvula mitral, criando uma melhor coaptação entre suas estruturas e diminuindo imediatamente a regurgitação. Para o paciente, isso pode significar menor agressão ao organismo, redução do tempo de internação, recuperação mais rápida e menor risco quando comparado a procedimentos cirúrgicos convencionais”, explica Dr. Ricardo.
A insuficiência mitral pode ocorrer por alterações degenerativas da própria válvula ou como consequência da dilatação do coração em pacientes com insuficiência cardíaca. Em casos moderados a graves, a doença pode provocar falta de ar, cansaço progressivo, piora da capacidade funcional, internações recorrentes e impacto importante na qualidade de vida.
Para os cardiologistas, o avanço também tem relevância clínica importante. “A indicação do MitraClip depende de avaliação criteriosa, envolvendo gravidade da regurgitação mitral, sintomas persistentes, função ventricular, anatomia valvar favorável e otimização prévia do tratamento medicamentoso, especialmente nos casos de regurgitação mitral funcional associada à insuficiência cardíaca”, conta Dr. Tofano.
Estudos clínicos internacionais, como o COAPT, demonstraram benefícios expressivos do MitraClip em pacientes selecionados com insuficiência mitral secundária, incluindo redução de hospitalizações por insuficiência cardíaca, melhora da capacidade funcional, qualidade de vida e impacto positivo na mortalidade. Esses resultados consolidaram a técnica como uma alternativa segura e eficaz dentro de critérios bem definidos.
Segundo a equipe, um dos pontos fundamentais para o sucesso do procedimento é a atuação integrada do Heart Team, formado por cardiologistas intervencionistas, ecocardiografistas, anestesistas, equipe de hemodinâmica, enfermagem especializada e profissionais envolvidos no cuidado pré, intra e pós-procedimento.
Ainda segundo Dr. Tofano, esse trabalho conjunto é determinante. “Nenhum procedimento desse nível acontece de forma isolada. Ele exige uma equipe preparada desde a seleção do paciente até o acompanhamento depois da intervenção. Esse alinhamento é o que garante segurança, precisão e melhores resultados”, afirmou.
A realização inédita do MitraClip reforça o posicionamento da Unicárdio e do Hospital Beneficente da Unimar como referências em cardiologia em Marília e região. Ao incorporar procedimentos de alta complexidade, com tecnologia avançada e equipe especializada, a instituição amplia sua capacidade de atendimento e passa a oferecer recursos antes disponíveis apenas em grandes centros.
“Com esse marco, a Unicárdio consolida sua atuação no cuidado cardiovascular avançado, fortalecendo o Hospital da Unimar como um centro preparado para receber pacientes com doenças cardíacas complexas, sempre com foco em segurança, inovação, tratamento individualizado e qualidade de vida”, finaliza Dr. Tofano.













