Por Cris Silva
Existem pessoas que passam a vida inteira construindo uma carreira. Outras passam anos construindo uma empresa.
Algumas conquistam reconhecimento. Outras conquistam dinheiro.
Mas existe uma pergunta que poucas vezes temos coragem de fazer:
Quem você é quando ninguém está olhando?
Foi exatamente essa reflexão que ficou comigo depois do episódio #67 do Podcast Empoder aí Cris, quando recebi a psicóloga comportamental, palestrante e empreendedora Gabriela Poker.
Confesso que imaginei que seria uma conversa sobre inteligência emocional. Mas terminou sendo muito mais do que isso.
Foi uma conversa sobre identidade.
Sobre máscaras.
Sobre medo.
Sobre relações.
E, principalmente, sobre a coragem de voltar a ser quem realmente somos.
Se este artigo chegar até você em um momento em que tudo parece pesado, talvez ele não seja uma coincidência. Talvez seja exatamente a conversa que você precisava ler.
O personagem que muitas pessoas criaram para sobreviver
Uma das falas da Gabi ficou ecoando na minha mente durante dias.
Ela disse que as pessoas desaprenderam a se relacionar.
Enquanto ela explicava, comecei a pensar em quantas pessoas vivem interpretando papéis todos os dias.
O empresário que acredita que nunca pode demonstrar insegurança.
A mulher que tenta provar o tempo inteiro que consegue dar conta de tudo.
O líder que acha que precisa ser perfeito.
O profissional que sorri por fora enquanto desmorona por dentro.
Vivemos em uma sociedade onde parecer forte, muitas vezes, vale mais do que ser verdadeiro.
Mas existe um preço. E ele costuma ser alto.
Gabi trouxe uma reflexão que considero uma das mais importantes de todo o episódio: muitas pessoas criam personagens para serem aceitas.
Interpretam uma versão idealizada de si mesmas. E, aos poucos, deixam de saber quem realmente são. Quando isso acontece, os relacionamentos deixam de ser verdadeiros.
Porque ninguém consegue amar um personagem. Ninguém consegue construir confiança onde existe apenas aparência.
A empresa sempre revela quem é o empresário
Durante nossa conversa, fiz uma pergunta que considero essencial para quem empreende. Como separar o CPF do CNPJ?
A resposta da Gabi foi simples, mas extremamente profunda.
Ela disse que, na prática, isso é impossível. Porque atrás de todo CNPJ existe um CPF.
Existe uma pessoa.
Existe uma história.
Existe alguém que sente medo, ansiedade, insegurança e pressão.
Essa resposta me fez pensar em algo que observo há muitos anos acompanhando empresários.
Muitos acreditam que os problemas da empresa estão: na equipe, no mercado,
na economia, na concorrência. Mas, inúmeras vezes, o maior desafio está na forma como o próprio empreendedor lida com as suas emoções.
A empresa cresce. Mas a maturidade emocional não acompanha.
E chega um momento em que o negócio começa a refletir exatamente aquilo que acontece dentro do seu líder.
O sucesso também adoece
Existe uma frase que me marcou profundamente durante o episódio.
Gabi explicou que muitas pessoas de alta performance carregam uma crença silenciosa:
“Eu preciso ser perfeito para ter valor.”
E essa talvez seja uma das armadilhas mais perigosas do sucesso.
Quanto maior a responsabilidade… maior a cobrança, maior o medo de errar. maior a dificuldade de pedir ajuda.
E a pessoa continua produzindo, continua crescendo, continua sendo admirada.
Mas emocionalmente vai se esgotando.
Porque viver tentando sustentar uma imagem perfeita é extremamente cansativo.
E ninguém consegue permanecer inteiro quando passa a vida inteira escondendo suas vulnerabilidades.
O problema nunca foi sentir
Crescemos ouvindo frases como: “Engole o choro.” “Seja forte.” “Não demonstra fraqueza.”
Talvez por isso tantas pessoas tenham aprendido a fugir das próprias emoções.
Mas Gabi fez uma afirmação que considero transformadora.
Ela disse que o problema nunca foi sentir. O problema é não saber lidar com aquilo que sentimos.
As emoções não aparecem para nos destruir. Elas aparecem para comunicar alguma necessidade. E essa foi uma das maiores viradas de chave da nossa conversa.
Quantas vezes tentamos calar uma ansiedade comprando?
Quantas vezes tentamos anestesiar uma tristeza mergulhando no trabalho?
Quantas vezes usamos comida, celular, redes sociais, álcool ou excesso de compromissos apenas para não olhar para aquilo que realmente está acontecendo dentro de nós?
A emoção não desaparece. Ela apenas espera. E, mais cedo ou mais tarde, cobra espaço.
Empreender também é terapia
Um dos momentos que mais gostei foi quando perguntei sobre sua entrada no empreendedorismo.
Hoje, além da clínica, Gabriela é sócia da Kummo Empreendimentos Imobiliários, empresa criada ao lado do noivo, Rodrigo.
Ela contou que viver o empreendedorismo tem sido quase uma terapia.
Porque todos os dias ela percebe como os medos, crenças e inseguranças aparecem nas decisões financeiras.
No relacionamento entre sócios.
Na expansão da empresa.
Na dificuldade de vender.
Na coragem de investir.
Empreender não é apenas entender de estratégia.
É aprender a lidar consigo mesmo.
O medo nunca vai desaparecer
Talvez uma das maiores lições desse episódio tenha sido essa.
Esperar o medo passar é perder oportunidades.
A inteligência emocional não elimina o medo.
Ela ensina você a caminhar apesar dele.
Porque crescer dói.
Expandir assusta.
Empreender exige coragem.
E coragem não é ausência de medo.
É agir mesmo sentindo medo.
Uma pergunta que todos deveriam fazer
Talvez um dos momentos mais fortes do episódio tenha sido quando Gabi deixou uma pergunta que serve para qualquer pessoa.
Que história você está contando para você mesmo?
Essa pergunta parece simples. Mas ela desmonta muitas certezas.
Será que a história que você conta sobre si mesmo ainda faz sentido?
Será que você realmente precisa ser perfeito?
Será que precisa agradar todo mundo?
Será que precisa provar valor o tempo inteiro?
Ou será que essas histórias foram construídas ao longo da vida e hoje apenas limitam quem você pode se tornar?
A maneira como contamos nossa própria história influencia diretamente as decisões que tomamos. E mudar a narrativa interna pode mudar completamente o rumo da nossa vida.
Empreender também é um processo de autoconhecimento
Outro ponto que gostei muito foi perceber como Gabi leva a psicologia para dentro do empreendedorismo.
Ao falar da empresa que fundou com o noivo Rodrigo, ela mostrou que construir um negócio vai muito além de planilhas, estratégias e vendas.
Empreender também significa enfrentar medos.Tomar decisões difíceis. Lidar com incertezas. Aprender constantemente.
E, principalmente, desenvolver inteligência emocional para continuar caminhando mesmo quando o medo aparece. Porque o medo não desaparece.
O que muda é a forma como escolhemos responder a ele.
Liberdade talvez seja o verdadeiro sucesso
No bate-pronto que sempre faço com meus convidados, perguntei qual palavra definia autoconhecimento.
Sem pensar muito, Gabi respondeu: Liberdade.
E eu achei essa resposta extraordinária. Porque conhecer a si mesmo é justamente isso.
É deixar de ser escravo dos próprios padrões.
É entender por que reagimos da forma que reagimos.
É perceber nossas crenças.
É reconhecer nossos medos.
E, finalmente, fazer escolhas mais conscientes.
Não existe liberdade maior do que deixar de viver no piloto automático.
O maior aprendizado que levei desse episódio
Quando encerramos nosso bate-papo, fiquei pensando que muitas pessoas passam anos tentando mudar a empresa.
Tentando mudar o casamento.
Tentando mudar a equipe.
Tentando mudar o mundo.
Mas esquecem de olhar para dentro.
E talvez seja justamente aí que começa toda transformação.
Nenhuma estratégia sustenta uma vida emocionalmente adoecida.
Nenhum negócio cresce de forma saudável quando quem o lidera vive aprisionado em um personagem. Nenhum relacionamento floresce quando duas pessoas escondem quem realmente são.
A conversa com Gabi não foi apenas sobre psicologia.
Foi sobre coragem.
A coragem de sentir.
A coragem de errar.
A coragem de pedir ajuda.
E, principalmente, a coragem de abandonar as máscaras que construímos ao longo da vida.
Porque talvez o maior sucesso não seja parecer forte. Talvez o verdadeiro sucesso seja ter liberdade para viver exatamente quem Deus nos criou para ser.
Quer assistir a essa conversa completa?
Se este artigo despertou alguma reflexão em você, convido a assistir ao episódio #67completo está disponível no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=G_c3YUReELY&t=4s
Tenho certeza de que, assim como aconteceu comigo durante essa entrevista, você também encontrará respostas, fará perguntas importantes e, quem sabe, dará o primeiro passo para viver uma vida mais consciente, mais leve e mais verdadeira.
Porque conhecimento transforma. Mas conhecimento colocado em prática… transforma destinos.
Gravado nos estúdios da Unimar EAD, mediado por mim, Cris Silva em uma escuta ativa e sensível, onde histórias reais se transformam em impactos duradouros.
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Com todo meu carinho, Cris Silva
CEO da Ducris | Psicóloga clínica | Mentora de Network com propósito | Apresentadora do podcast Empodera Aí, Cris!













