Xixi de pet pode matar plantas? Especialista esclarece

Quem tem cachorro ou gato em casa e também cultiva plantas já deve ter percebido manchas amareladas no gramado ou folhas queimadas em determinados pontos do jardim.

O motivo, muitas vezes, não está no sol forte ou na falta de água, mas sim em um hábito comum dos pets: o xixi sempre no mesmo lugar.

De acordo com a veterinária Marina dos Santos, o problema é real e merece atenção.

“A urina de cães e gatos possuem uma alta concentração de nitrogenio que queima as raízes e folhas”, explica, em entrevista ao Canal do Pet.

O nitrogênio, apesar de ser um nutriente importante para as plantas, em excesso se torna agressivo. “A alta concentração de nitrogenio” é justamente o principal componente responsável pelos danos, segundo a profissional.

Nem todas as plantas, porém, reagem da mesma forma. Algumas espécies conseguem lidar melhor com esse contato frequente.

“Existem algumas opções de gramado que são mais resitentes ou até mesmo a opção sintetica, Entre os gramados resistentes está o gramado de trevo”, orienta Marina.

A frequência com que o animal urina também faz toda a diferença. “Com certeza, quanto maior a frequencia maior o dano”, afirma. Isso ajuda a explicar por que áreas específicas do jardim acabam mais comprometidas.

Entre cães e gatos, há diferenças importantes. “A urina de gatos tende a ser mais concentrada, tendo assim uma maior quantidade de nitrogenio. Mas a urina de cães é o que mais causa danos visíveis. Os cães urinam em quantidade muito maior e eles costumam repetir o local da marcação para marcar território.”

O efeito do xixi não costuma aparecer de forma imediata, já que o dano ocorre de maneira gradual e não instantânea, explica a veterinária.

Mesmo assim, alguns sinais ajudam a identificar o problema nas plantas e no gramado, como o odor forte de amônia, a aparência de queimadura, além do surgimento de manchas marrons ou amareladas. Com o tempo, essas áreas tendem a murchar e ressecar rapidamente.

Uma medida simples pode ajudar a reduzir os impactos. “Com certeza ajuda, um meio de prevençao é lavar o local com água corrente na mesma hora que o pet fizer xixi”, recomenda Marina.

Por outro lado, tentar compensar os danos com fertilizantes pode ser um erro. “O uso de qualquer fertilizante requer equilibrio e moderação para garantir a saúde do solo e planta. O ideal é sempre consultar um especialista antes.”

Apesar dos prejuízos ao jardim, o hábito não traz riscos aos animais. “Não há nenhum risco para a saúde do pet”, esclarece.

Para quem busca proteger plantas e gramados, a solução passa pela organização e pelo manejo adequado do espaço. O uso de cercas e a criação de caminhos bem demarcados no jardim ajudam a direcionar a circulação do pet.

Outra alternativa é investir em treinamento, restringindo a área onde o animal faz suas necessidades. A orientação é criar um local específico para esse fim, inclusive com opções de gramas próprias disponíveis no mercado, desenvolvidas especialmente para os cães.

Na hora de escolher plantas para casas com animais, a atenção deve ser redobrada. “Sempre confirme se uma planta é realmente segura para seu animal de estimação. Organizações como a ASPCA tem uma lista abrangente de plantas tóxicas e não tóxicas.”

Já os produtos repelentes exigem atenção redobrada, pois podem oferecer riscos aos animais. A orientação é buscar alternativas seguras e adotar estratégias de manejo adequadas, sempre com a recomendação de um veterinário de confiança.

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