Whey para cachorro: quando o suplemento pode fazer mal ao pet?

A ideia de oferecer whey protein ao cachorro pode parecer uma forma simples de aumentar a ingestão de proteínas, mas o uso de suplementos humanos em animais exige atenção.

Embora existam produtos desenvolvidos especificamente para cães, aqueles destinados às pessoas podem conter substâncias inadequadas para os pets.

O risco não está necessariamente no whey em si, mas na composição de cada produto. Alguns suplementos humanos possuem adoçantes, aromatizantes e outros ingredientes que podem ser prejudiciais aos cães.

Entre eles está o xilitol, encontrado em determinados produtos sem açúcar e que pode causar uma queda acentuada da glicose no sangue dos animais.

A intoxicação por essa substância pode evoluir rapidamente e, em situações graves, provocar convulsões, coma, alterações na coagulação e até insuficiência hepática. Por isso, se um cachorro ingerir acidentalmente um produto que contenha xilitol, a orientação é procurar atendimento veterinário imediatamente.

Outro ponto importante é que a necessidade nutricional dos cães não segue a mesma lógica da alimentação humana. O uso de proteína em pó por pessoas que praticam musculação, por exemplo, tem objetivos diferentes daqueles que podem justificar uma suplementação para um animal.

“Em pessoas, quem toma whey quer ganhar músculo. Em cães, quando existe indicação de suplementação, o objetivo é atender uma necessidade nutricional específica, e não reproduzir uma estratégia de hipertrofia usada por humanos”, explica Haltiane Alves, veterinária responsável técnica da Pet de TODOS.

Quando o suplemento pode ser necessário

A proteína é apenas uma parte da alimentação. Para se manter saudável, o cachorro precisa receber quantidades adequadas de energia, proteínas, aminoácidos, vitaminas, minerais e outros nutrientes. As necessidades ainda variam de acordo com a idade e as condições do animal.

Filhotes, adultos, cadelas gestantes ou em fase de amamentação e cães idosos, por exemplo, apresentam exigências nutricionais diferentes. Em animais saudáveis que recebem uma alimentação completa e balanceada, a suplementação pode nem sequer ser necessária.

A situação muda quando há alguma condição específica que dificulte o atendimento das necessidades nutricionais apenas pela alimentação.

Crescimento, gestação, lactação, recuperação após procedimentos e determinadas doenças estão entre as situações que podem levar à avaliação da necessidade de suplementação.

Em cães idosos, por exemplo, doenças crônicas podem exigir mudanças cuidadosas na dieta. Em casos de doença renal crônica, algumas formulações são desenvolvidas com controle de nutrientes como fósforo e proteína. Por isso, simplesmente aumentar a quantidade de proteína pode não ser adequado para determinados pacientes.

“A suplementação nunca substitui uma alimentação balanceada. Antes de pensar em qualquer suplemento, o primeiro passo é garantir que a alimentação do cão esteja adequada às necessidades dele”, afirma Haltiane.

Alimentação deve vir antes do suplemento

A escolha do alimento também deve considerar a fase da vida do cachorro. Dietas destinadas ao crescimento, à manutenção ou à gestação e lactação possuem diferentes necessidades nutricionais e precisam ser formuladas de acordo com essas condições.

No Brasil, os produtos destinados à alimentação de animais de companhia seguem regulamentação própria. As normas estabelecem critérios para categorias como alimentos completos, alimentos específicos, alimentos coadjuvantes e suplementos, que possuem finalidades distintas.

Por isso, o fato de um produto ser vendido como suplemento para animais não significa que ele possa ser utilizado de maneira indiscriminada.

Também não é recomendável simplesmente substituir um whey humano por qualquer produto encontrado em pet shops sem antes avaliar a real necessidade do animal.

A indicação deve partir de uma análise individual, levando em conta alimentação, idade, condição corporal, estado fisiológico e possíveis doenças. Dessa forma, é possível evitar tanto a suplementação desnecessária quanto o consumo de nutrientes em quantidades inadequadas.

“Ter acompanhamento veterinário é o que permite identificar se o cão realmente precisa de suplementação e qual produto faz sentido para a condição dele”, completa Haltiane.

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