Em um discurso que apesar de estourar em muito o tempo de 15 minutos não teve grande conteúdo, com alguns momentos de improvisos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou durante fala na Assembleia Geral, nesta terça-feira, 23, a missão das Nações Unidas.
“Qual é o propósito das Nações Unidas? A ONU tem um potencial tremendo. Eu sempre disse isso. Ela tem um potencial tremendo, tremendo. Mas não está nem perto de corresponder a esse potencial”, disse. “Na maioria das vezes, pelo menos por enquanto, tudo o que eles parecem fazer é escrever uma carta com palavras muito fortes e nunca dar seguimento a essa carta. São palavras vazias, e palavras vazias não resolvem guerras”.
Ele sugeriu que outras nações seguissem a abordagem dos Estados Unidos. “Um futuro dramaticamente melhor está ao nosso alcance. Mas, para chegar lá, precisamos rejeitar as abordagens fracassadas do passado e trabalhar juntos para enfrentar algumas das maiores ameaças da história”.
Entre as ameaças, segundo ele, está a imigração. “Vocês estão destruindo seus países. A Europa está em sérios apuros. Eles foram invadidos por uma força de imigrantes ilegais como ninguém jamais viu, acusando em sequência a ONU de “apoiar pessoas que estão entrando ilegalmente nos EUA”.
“A ONU não está resolvendo problemas, como deveria, está criando novos problemas para que nós solucionemos. O melhor exemplo disso é o problema político número um: a crise de migração descontrolada”, disse. “A ONU sustenta e apoia as pessoas que entram nos EUA e a gente tem que expulsá-las. (…) A ONU deveria impedir invasões, e não criá-las”.
Desde sua posse, no final de janeiro, Trump revisou financiamentos e retirou os EUA de diversos órgãos das Nações Unidos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Em sequência, o presidente voltou a repetir a afirmação enganosa de que “encerrou sete guerras” desde que voltou ao cargo, em conflitos que vão do Paquistão e Índia à guerra de 12 dias entre Israel e Irã.
“É uma pena que eu tenha tido que fazer essas coisas em vez das Nações Unidas”, disse ele, voltando a insistir, mesmo que indiretamente, que merece o Nobel da Paz, citando ataques contra instalações nucleares do Irã, em junho. Em agosto, o presidente dos EUA já teria ligado para ministro das finanças da Noruega, Jens Stoltenberg, para perguntar sobre uma possível indicação ao prêmio, segundo informações do jornal norueguês Dagens Næringsliv nesta quinta-feira, 14.
Em relação à ofensiva de Israel em Gaza, Trump criticou a crescente lista de países que reconheceram Estado da Palestina nos últimos dias.
“Infelizmente, o Hamas rejeitou repetidamente ofertas razoáveis de paz”, disse. “Alguns membros (da ONU) estão buscando reconhecer unilateralmente um Estado palestino (…) Isso seria uma recompensa por essas atrocidades horríveis”.
França seguiu os passos nesta segunda-feira, 22, do Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal no reconhecimento do Estado da Palestina. Os quatro países anunciaram neste domingo, 21, às vésperas da reunião em Nova York, a validação do Estado palestino como um caminho para a solução de dois Estados. Mais de 140 países dos 193 países-membros da ONU, incluindo o Brasil, reconhecem a Palestina. A medida é condenada por Israel e pelos EUA — a missão americana, inclusive, vetou as últimas resoluções do Conselho de Segurança sobre Gaza.













