Suplementos e manipulados para pets: o que saber antes do uso

O aumento da expectativa de vida dos animais de estimação tem levado muitos tutores a investirem em suplementos, fórmulas manipuladas e tratamentos personalizados para cães e gatos.

No entanto, especialistas alertam que o uso desses produtos sem avaliação profissional pode trazer riscos à saúde dos pets.

Com a popularização de conteúdos sobre bem-estar animal nas redes sociais, cresceu também o número de tutores que chegam às consultas com dúvidas sobre vitaminas, compostos para articulações, fórmulas para ansiedade e produtos voltados à pelagem.

Segundo o veterinário Rafael Pinto, a principal questão deve ser entender se existe, de fato, necessidade de suplementação.

“Esses sinais contam uma história que o exame clínico sozinho às vezes não captura”, afirma o especialista ao destacar a importância de observar alterações como queda de pelos, cansaço, coceiras e mudanças no apetite antes de iniciar qualquer tratamento.

De acordo com o veterinário, idade, raça, alimentação, rotina e histórico de saúde do animal são fatores fundamentais para definir se um suplemento será indicado. O uso inadequado pode sobrecarregar órgãos como fígado e rins, além de causar interações medicamentosas.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre os tutores é o uso de medicamentos manipulados. Nesses casos, a orientação é verificar se a farmácia possui autorização dos órgãos responsáveis e buscar informações sobre a procedência das matérias-primas e os processos de controle de qualidade.

“Se a farmácia não consegue explicar o que está na fórmula e como aquilo vai ajudar o seu pet, isso é sinal de alerta. Informação também faz parte da segurança do tratamento”, alerta Rafael.

Segundo o especialista, os manipulados costumam ser indicados quando há necessidade de adaptar doses, reunir diferentes substâncias em uma única fórmula ou facilitar a administração do medicamento.

Versões líquidas, pastas e biscoitos podem ajudar, principalmente em casos de animais que rejeitam comprimidos.

“Quando o pet não aceita o medicamento, o tratamento falha. Não por falta de cuidado do tutor, mas porque a forma farmacêutica não foi pensada para aquele animal”, explica.

Para animais que fazem uso contínuo de medicamentos, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso. Mudanças de comportamento, perda de peso, sede excessiva, vômitos ou alterações respiratórias podem indicar necessidade de ajuste no tratamento.

O veterinário também reforça a importância de informar tudo o que o animal já utiliza, incluindo vitaminas, suplementos e produtos naturais.

“Mesmo produtos naturais podem causar interação, perda de eficácia ou efeitos adversos. O veterinário só consegue avaliar com segurança se tiver o quadro completo”, destaca.

Especialistas recomendam que qualquer suplementação ou tratamento seja iniciado apenas após avaliação veterinária individualizada, evitando a automedicação motivada por recomendações encontradas na internet ou redes sociais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *