Depois da estreia em Birigui, a peça chega ao SESI Marília em 7 de novembro e leva a criançada a superar a resistência alimentar. Em tom leve e divertido, convida os pequenos a uma aventura transformadora à mesa: experimentar novos alimentos e parar de torcer o nariz para o brócolis, a berinjela e companhia. Até dezembro, o espetáculo percorre sete unidades do SESI-SP, sempre com entrada gratuita. Em cada cidade, a programação inclui a Oficina de Bonecos para Crianças,
parte das ações formativas da entidade.
“Já provou?” “Não, mas não gosto.” Quem convive com crianças conhece de cor esse diálogo, travado diante de um brócolis, um chuchu ou a couve-flor e o repolho esquecidos na beirada do prato, enquanto a beterraba é escondida debaixo do arroz e a vagem desaparece, misteriosamente, dentro do guardanapo. Forçar a criança a comer costuma aumentar o repúdio ao alimento. Em O Mundo Colorido dos Alimentos, essa pequena batalha de todos os dias vira aventura: para atravessar cada um dos quatro mundos da história, o protagonista precisa provar algo que nunca comeu. Sem sermão e com muita imaginação, o espetáculo usa o teatro para despertar a curiosidade das crianças pela comida e mostrar que comer bem pode ser uma descoberta divertida.
Com texto de Marcelo Ferraz e direção de Vinicius Cattani, a montagem chega dia 7 de novembro, sábado, às 16h, ao SESI Marília, e segue até dezembro por unidades do SESI em Itapetininga, Osasco, São José dos Campos, Franca e Ribeirão Preto, sempre com entrada gratuita.
No palco, os super-heróis são os alimentos, e eles chegam em forma de cor. A cada sabor descoberto, o protagonista amplia sua relação não só com a comida, mas com tudo aquilo que lhe parece estranho e novo. Nos mundos vermelho, verde, amarelo e roxo, ele é conduzido por guias inspirados nos profissionais da escola que raramente recebem aplausos. Já adulto, o menino se torna cozinheiro, e a montagem presta homenagem a chefs, cozinheiras e merendeiras. “A ideia é propor mudanças positivas nos hábitos alimentares, na relação das crianças e jovens com a comida, e valorizar também a profissão de quem está na cozinha”, afirma o autor.
Nos mundos vermelho, verde, amarelo e roxo, ele é conduzido por guias inspirados nos profissionais da escola que raramente recebem aplausos. Já adulto, o menino se torna cozinheiro, e a montagem presta homenagem a chefs, cozinheiras e merendeiras. “A ideia é propor mudanças positivas nos hábitos alimentares, na relação das crianças e jovens com a comida, e valorizar também a profissão de quem está na cozinha”, afirma o autor.
Do prato recusado ao palco
A história nasceu dentro de casa. O ponto de partida foi Giovani, sobrinho de Marcelo Ferraz, hoje com 8 anos. Mesmo crescendo numa família atenta à alimentação, o menino rejeitava quase tudo o que fugisse do básico. “Ele sempre recusou feijão, brócolis, comida verde, legumes e até carne. O macarrão tinha que ser puro: sem cebola, sem alho, sem molho de tomate”, lembra o autor. Aos 5 anos, a seletividade virou um problema de saúde, e o médico avisou que, sem mudar a alimentação, Giovani precisaria passar por uma cirurgia. A saída encontrada pela família foi a brincadeira.
“Comecei a dizer que os alimentos eram super-heróis, para que ele se sentisse estimulado a experimentar”, conta Marcelo. A escola entrou no jogo: quando Giovani provava algo novo, a professora anunciava a conquista e a turma aplaudia a coragem do colega. “Hoje ele ama macarrão com brócolis, ama feijão. Foi um trabalho de construção.” Para escrever o texto, o autor conversou com mães e educadores de escolas públicas e particulares, incluindo mães de crianças autistas, para quem a textura dos alimentos costuma ser uma barreira. Dessas conversas veio também um olhar sobre desigualdade. “Hoje comer bem custa caro. A pessoa trabalha o dia inteiro e vai no mais fácil, que é o macarrão instantâneo, a bolacha. E isso custa saúde”, diz. Sem eleger vilões: “A ideia não é demonizar nenhum alimento.”
Brincar antes de ensinar
Para o diretor Vinicius Cattani, o desafio era falar de um tema tão presente no cotidiano infantil sem transformar o palco em sala de aula. “Quando a gente quer ensinar alguma coisa, principalmente para uma criança, é muito difícil fugir do didatismo. O que eu tentei fazer foi não explicar, e sim fazer com que os personagens vivenciem situações”, afirma. Em cena, Giovani prova um alimento, gosta, e esse primeiro passo o encoraja a experimentar o próximo. Experimentar, aliás, é o verbo que atravessa a dramaturgia. “O espetáculo fala o tempo todo sobre experimentar, descobrir, ousar. A criança é curiosa por natureza, e o teatro é isso: lúdico, sensorial, um convite à descoberta de novos sabores e novas cores”, resume Marcelo.
Um mundo que ganha cor
A transformação do protagonista também está no visual. “A proposta para o cenário, o figurino e toda a linguagem é fazer esse mundo se transformar, assim como o personagem se transforma”, explica Cattani. Conforme Giovani avança na jornada, a cenografia de Amauri Santos e os figurinos de Divina Núbia ganham cores aos poucos, refletindo a mudança interior do menino. “A gente quis mostrar essa transformação não só no personagem, mas também no cenário e no figurino.” Em cena, Luís Maurício e Aurélio Lima conduzem a história, que tem músicas de Andréa Celegatto, arranjos de Jhésus Brito, efeitos sonoros de Rafael Thomazini e voz em off de Lavínia Pannunzio.
Oficina de Bonecos para Crianças
Como parte das ações formativas do SESI, a passagem do espetáculo por Birigui inclui a Oficina de Bonecos para Crianças, uma vivência lúdica de iniciação ao teatro de bonecos que une brincadeira, imaginação e expressão artística. Conduzida pelo ator e bonequeiro Luís Maurício, integrante do elenco, a atividade convida as crianças a descobrir como um boneco simples pode ganhar vida, voz e movimento nas mãos de quem o manipula. Cada participante constrói o próprio boneco, com todo o material fornecido, e depois brinca com ele ao lado dos colegas. A proposta dialoga com os processos de formação cultural e artística na infância, estimulando a criatividade, a oralidade e o trabalho em grupo. Em Marília, a oficina acontece no dia 7 de novembro, às 10h, e as crianças podem emendar a experiência com a sessão do espetáculo à tarde, quando reencontram os bonecos em cena, como o Chefinho, o chef de cozinha que integra a montagem. Com mais de 50 anos de trajetória no teatro de bonecos, Luís Maurício é conhecido por criar grandes bonecos em homenagem a artistas como Fernanda Montenegro, Zé Celso e Rita Lee. Gratuita, com cerca de 30 vagas, a oficina é recomendada para crianças de 6 a 12 anos, que podem participar acompanhadas dos pais. As inscrições são feitas pelo site do SESI-SP.
Sinopse
O Mundo Colorido dos Alimentos é um espetáculo infantil que leva as crianças a uma viagem cheia de imaginação, sabores e descobertas. Ao lado de um menino curioso, o público conhecerá um universo em que os alimentos, com suas cores e sabores, permitem possibilidades surpreendentes, mostrando que uma alimentação nutritiva pode ser divertida, saborosa e cheia de magia.
Ficha técnica
Texto: Marcelo Ferraz. Direção: Vinicius Cattani. Elenco: Luís Maurício e Aurélio Lima. Cenografia: Amauri Santos. Figurinos e Maquiagem: Divina Núbia. Músicas: Andréa Celegatto. Arranjos: Jhésus Brito. Efeitos Sonoros: Rafael Thomazini. Voz em Off: Lavínia Pannunzio. Operador de Luz – Jotappê Silva. Coordenação Pedagógica e Editorial: Cristiane Boneto. Coordenador de Produção: Charles de Montrigaud. Assistentes de Produção: Renata Santos e Luciano Silva. Mídias Sociais: Cannal. Assessoria de Imprensa: M.Fernanda Teixeira e Mauricio Barreira – Arteplural.
Serviço
O Mundo Colorido dos Alimentos
SESI Marília – Av. João Ramalho, 1306 – Jardim Conquista, Marília (SP).
Data: 7 de novembro (sábado), às 16h. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: a confirmar. Entrada gratuita.
Ingressos: www.sesisp.org.br
Oficina de Bonecos para Crianças
Data: 7 de novembro (sábado), às 10h. Local: SESI Marília. Duração aproximada: 120 minutos. Recomendada para: crianças de 6 a 12 anos. Gratuita, cerca de 30 vagas.
Inscrições: www.sesisp.org.br













