Plano Safra 2025/2026 encerra com recuo nos desembolsos de crédito rural

Desembolsos caíram 10,1% no país e 16,9% em São Paulo, em relação à safra 2024/2025, em um ciclo marcado por juros elevados e avanço da inadimplência

O Plano Safra 2025/2026 encerrou, em junho, com R$ 344,9 bilhões desembolsados em crédito rural no país, desconsiderados os recursos provenientes de LCAs lastreadas em CPRs, segundo o Relatório Especial de Encerramento da Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base em dados do SICOR/BCB. Ao todo, foram formalizados 2,45 milhões de contratos, número 5,5% superior ao da safra anterior. Apesar do aumento no número de operações, indicando maior pulverização do crédito, o volume desembolsado recuou 10,1%.

Os pequenos e médios produtores apresentaram desempenho relativamente mais favorável. O Pronaf desembolsou R$ 68,7 bilhões, alta de 4,9% em relação à safra 2024/2025, com execução de 87,8% dos recursos previstos. Já o Pronamp alcançou R$ 62,2 bilhões, crescimento de 6,7% e execução de 90% do programado. Em contrapartida, os demais produtores da agricultura empresarial contrataram R$ 214 bilhões, uma retração de 17,6%.

A redução dos recursos destinados a investimento merece destaque entre as finalidades do crédito rural, especialmente entre médios e grandes produtores. A menor disponibilidade nessa modalidade pode restringir a modernização das atividades, a incorporação de tecnologias e a realização de investimentos com potencial de elevar a produtividade no médio e longo prazo.

Em São Paulo, os desembolsos somaram R$ 32,3 bilhões, queda de 16,9% em comparação com a safra anterior. Ainda assim, o estado permaneceu entre os principais tomadores de crédito rural do país.

O ambiente financeiro permaneceu desafiador ao longo da safra. A taxa Selic, embora tenha recuado de 15% a.a. no início da safra para 14,25% a.a. ao final do período, permaneceu em patamar elevado, mantendo o custo do crédito pressionado. Paralelamente, a inadimplência avançou de forma expressiva, sobretudo entre as pessoas físicas. Nas operações com taxas de mercado, a taxa de inadimplência passou de 5,91% para 13,04% entre junho de 2025 e junho de 2026. Nas linhas reguladas, o índice aumentou de 1,62% para 3,26%. A elevação dos custos de produção, a pressão sobre os preços, com consequente redução das margens, e a ocorrência de eventos climáticos adversos também contribuíram para esse aumento da inadimplência e limitar novas contratações de crédito.

Os números reforçam a necessidade de uma política de crédito rural capaz de combinar recursos em volume suficiente, juros compatíveis com a atividade produtiva, instrumentos de gestão de risco e mecanismos de recuperação financeira. Diante de um cenário de maior volatilidade econômica e climática, preservar condições de financiamento que permitam investir, produzir e manter a capacidade de pagamento será fundamental para sustentar a competitividade e a resiliência da agropecuária brasileira.

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