Pet idoso dorme mais? Veja quando isso pode ser um alerta

Dormir mais, evitar escadas, parar de subir no sofá ou perder a vontade de brincar são mudanças que podem aparecer com o envelhecimento. Mas quando essas alterações ficam mais intensas ou começam a avançar, podem indicar que existe algo além da idade.

Segundo a veterinária Pâmella Castro de Paula, da Plamev, o envelhecimento saudável costuma acontecer de maneira gradual. Por isso, quando o animal deixa de fazer atividades que realizava normalmente ou apresenta uma mudança significativa de comportamento, vale investigar a causa.

Quando o pet deixa de realizar atividades que antes fazia com facilidade, como subir escadas, brincar ou se alimentar normalmente, ou passa a dormir muito mais que o habitual, é importante investigar a presença de alguma patologia. O envelhecimento saudável ocorre de forma gradual”, explica.

Mudanças de comportamento merecem atenção

Um dos quadros que pode aparecer em cães e gatos idosos é a Síndrome da Disfunção Cognitiva, uma condição neurodegenerativa que provoca alterações no comportamento e pode apresentar sinais semelhantes aos observados em quadros de demência em humanos.

O animal pode começar a ficar desorientado mesmo em lugares conhecidos, trocar o dia pela noite, andar sem um objetivo aparente, vocalizar mais, interagir menos com os tutores ou passar a fazer xixi e cocô em locais onde antes não fazia.

Também podem surgir mudanças relacionadas à ansiedade, irritabilidade e dificuldade para reconhecer ou se adaptar a situações que antes faziam parte da rotina.

Isso, no entanto, não significa que qualquer mudança de comportamento seja consequência de perda cognitiva.

Doenças metabólicas, alterações sensoriais, como perda de visão ou audição, dor crônica e outras enfermidades também podem causar manifestações semelhantes. Por isso, o diagnóstico depende da avaliação clínica e da exclusão de outras doenças”, afirma Pâmella.

Dor pode estar escondida na rotina

A dor crônica é outro problema que pode passar despercebido. Diferentemente do que muitos imaginam, o animal nem sempre vai chorar, reclamar ou demonstrar de maneira evidente que está sentindo desconforto.

Alguns sinais aparecem justamente nas atividades do dia a dia.Dificuldade para levantar, caminhar, subir escadas ou pular, mudança na postura, redução da disposição, irritação quando é tocado, perda de apetite e alterações no sono são alguns exemplos.

Nos gatos, perceber essas mudanças pode ser ainda mais complicado. Eles costumam esconder sinais de dor e podem simplesmente modificar pequenos hábitos.

Muitos apenas deixam de subir em móveis altos, passam mais tempo escondidos ou diminuem a atividade física. São comportamentos que frequentemente acabam sendo interpretados pelos tutores como ‘preguiça da idade’, quando podem indicar dor”, explica a veterinária.

Por isso, observar aquilo que o animal deixou de fazer pode ser tão importante quanto perceber comportamentos novos.

Check-up deve fazer parte da rotina

O acompanhamento veterinário também ganha importância conforme o animal envelhece. Segundo Pâmella, cães e gatos idosos devem passar por avaliações pelo menos a cada seis meses, embora a frequência possa variar de acordo com a idade, histórico e condições de saúde de cada pet.

Durante esse acompanhamento, o profissional pode identificar alterações que ainda não são percebidas no comportamento e orientar mudanças na rotina.

Manter o peso adequado, oferecer uma alimentação compatível com a fase da vida, incentivar a hidratação e estimular atividades físicas dentro dos limites do animal também contribuem para preservar sua qualidade de vida.

O ambiente também pode ser adaptado para facilitar a rotina. Rampas, camas mais acessíveis, locais de descanso confortáveis e estímulos adequados ajudam o pet a continuar ativo sem exigir movimentos que provoquem dor.

Existem formas de ajudar

Quando existe dor crônica, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, dependendo da causa e das condições do animal. Medicamentos, fisioterapia, reabilitação, controle do peso, suplementos articulares e algumas terapias complementares podem fazer parte do acompanhamento.

Já nos casos de disfunção cognitiva, não existe cura, mas algumas medidas podem ajudar a controlar os sinais e retardar a evolução do quadro. Exercícios físicos, estímulos ambientais, alimentação específica, antioxidantes, ômega-3 e medicamentos prescritos pelo veterinário podem ser considerados.

O mais importante é não esperar que os sinais se tornem muito evidentes para procurar ajuda. Uma mudança que parece pequena, como deixar de subir no sofá ou dormir durante boa parte do dia, pode ser uma das primeiras pistas de que o pet precisa de avaliação.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a independência do animal e proporcionar uma melhor qualidade de vida. O acompanhamento periódico permite identificar alterações ainda em fases iniciais, quando as intervenções costumam ser mais eficazes”, conclui Pâmella, veterinária da Plamev.

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