Palco Faesp leva desafios reais do produtor ao centro do GAFFFF 2026

Crédito, seguro rural, assistência técnica, tecnologia, liderança feminina e agregação de valor pautaram debates voltados aos pequenos e médios produtores

Os desafios enfrentados dentro das propriedades e as oportunidades para ampliar produtividade, renda e competitividade deram o tom do segundo dia do Global Agribusiness Forum (GAFFFF 2026), em São Paulo. No Palco Faesp – Pequenos & Médios Produtores, a programação reuniu especialistas, técnicos, representantes do mercado e lideranças rurais para discutir temas diretamente ligados ao dia a dia de quem produz. Corealizador do evento, o Sistema Faesp/Senar mobilizou 4 mil pequenos e médios produtores rurais paulistas, além de alunos do Jovem Empreendedor do Agro (JEA), aproximando o campo das discussões sobre o futuro do agronegócio e estimulando essas lideranças a levar conhecimento, experiências e novas soluções para suas regiões.

A agenda colocou a gestão de riscos entre as prioridades, com o painel “Matriz de Risco no Campo: Sinergia entre Crédito, Seguro Rural e Garantias”, reunindo representantes da Faesp, FGV Agro, Serasa Experian, BB Seguradora, Banco do Brasil, Coopercitrus e especialistas do setor. Na sequência, o debate “Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e sua importância para o pequeno produtor rural” trouxe a coordenadora da ATeG do Sistema Faesp/Senar, Ingryd Lanna, o analista técnico Paulo Globo, o presidente do Sindicato Rural de Piraju, Luiz Otávio Motta, o supervisor Gabriel Petelinkar Pereira e o técnico de campo Paulo Forti. O foco foi a combinação entre orientação técnica e gestão como ferramenta para melhorar os resultados econômicos das propriedades.

Tecnologia e capacitação também tiveram espaço com o painel “Do Drone aos Centros de Excelência: Capacitação e Tecnologia para o Agro do Futuro”, moderado pelo gerente de Tecnologia e Inovação do Senar-SP, Alexandre Capelli, e com participações de Cláudio Júnior Oliveira, do Sindag; Raffaela Moyses, produtora e sucessora da Fazenda Bonnanza; Vicente Cornagro, da Synerjet; e Bruno Lucci, diretor técnico da CNA.

“Esse evento é muito importante por colocar o pequeno e o médio produtor no centro das discussões, na busca de soluções que garantam melhor produtividade e rentabilidade. A CNA se faz presente também com o Joia, uma inteligência artificial, direto no Whatsapp, que é a ferramenta dos produtores no dia a dia, colocando informação e dados atualizados na mão de quem vive no campo“, frisou Bruno Lucci.

Outro destaque foi o painel “As Semeadoras do Agro: Transformação, Gestão e Liderança Feminina no Campo”, moderado por Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro, reunindo lideranças e representantes do empreendedorismo feminino para discutir gestão, sucessão, participação das mulheres e desenvolvimento no meio rural. “Os pequenos e médios representam 68% dos nossos produtores, e a ponta de lança desse trabalho de acolhimento e qualificação são os Sindicatos Rurais. Em 2025, 53% dos alunos do Senar-SP foram mulheres; precisamos agora de mais pesquisas dedicadas a esse público e de políticas públicas efetivas para combater a desigualdade no campo“, frisou Juliana, que levou para o evento também ações de saúde, como aferição de pressão e bioimpedância.

O presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, participou como moderador do painel “Do Terroir à Agro-Cidadania: O Futuro das Origens, Emoções e Sabores que Conectam o Campo à Mesa”, ao lado de Adriana Menezes da Silva, presidente do Sindicato Rural de Itu; Lucy Mara Rocha de Souza, produtora rural; Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga; e Claudinei Minussi, presidente do Sindicato Rural de São José do Rio Pardo. A discussão mostrou como o terroir, ao reunir características do território, clima, solo, cultura, tradição e saber de quem produz, pode se transformar em um ativo econômico para o produtor. Para Meirelles, identificar e comunicar a origem dos alimentos permite diferenciar produtos, construir identidade e agregar valor. “Quando conseguimos mostrar ao consumidor que por trás de um queijo, de um café, de uma cachaça, de uma fruta ou de qualquer outro produto existe um território, uma história e uma família que produz, deixamos de vender apenas uma mercadoria. Passamos a entregar origem, identidade e valor”, destacou.

Para a Faesp, a participação no GAFFFF buscou justamente fazer com que os grandes debates do agronegócio cheguem a quem toma decisões diariamente dentro das propriedades. Além das palestras, os produtores mobilizados pelo Sistema tiveram contato com empresas, especialistas, tecnologias e experiências de agregação de valor, criando conexões que podem ser multiplicadas nos municípios por meio dos Sindicatos Rurais. “Queremos que o produtor saia do GAFFFF com novas ideias, contatos, informações e soluções que possam ser levadas para dentro da propriedade. É essa conexão entre conhecimento e realidade que transforma o campo, gera oportunidades e garante um agro mais competitivo, sustentável e rentável”, disse Tirso Meirelles.

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