Marília celebra 33 anos da descoberta que a transformou em Terra de Dinossauros

14-04 Marília celebra os 33 anos da descoberta do primeiro fóssil de dinossauro (4)

Marília celebra um marco histórico que a projetou no cenário científico nacional e internacional: os 33 anos da descoberta do primeiro fóssil de dinossauro no município. A data remete a abril de 1993, quando o paleontólogo William Roberto Nava realizou o achado inédito na região, iniciando uma trajetória que colocaria a cidade entre os principais polos de pesquisa paleontológica do interior paulista.

A busca começou anos antes, por volta de 1989, quando Nava ainda atuava como bancário e já se dedicava, de forma independente, aos estudos sobre fósseis. O esforço culminou na identificação de fragmentos ósseos de um titanossauro em solo mariliense — uma descoberta pioneira no Centro-Oeste paulista e que rapidamente ganhou repercussão em todo o país.

Naquele período, o interesse popular por dinossauros também crescia impulsionado pelo sucesso do cinema, especialmente com o lançamento do filme “Jurassic Park”. Esse contexto ajudou a ampliar a visibilidade da descoberta, reforçando o potencial científico, cultural e turístico do achado.

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A partir desse primeiro registro, Marília passou a ser reconhecida como uma nova fronteira paleontológica no Brasil. Outras descobertas vieram na sequência, consolidando a cidade como “Terra de Dinossauros” e ampliando o conhecimento sobre a fauna que habitou a região há milhões de anos.

Com apoio contínuo da Prefeitura, William Nava passou a atuar, desde 1996, como assessor das áreas de Cultura e Turismo, contribuindo diretamente para o desenvolvimento das pesquisas e para a difusão científica. Esse trabalho resultou, em 2004, na criação do Museu de Paleontologia de Marília, que completa 22 anos em novembro de 2026.

Mantido em parceria entre as secretarias municipais, o museu se tornou um dos principais equipamentos culturais e científicos da cidade. O espaço tem como missão preservar os fósseis, fomentar pesquisas e aproximar a população desse patrimônio, além de atrair visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.

O acervo reúne fósseis de dinossauros, crocodilos pré-históricos como o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus, ovos fossilizados e vestígios de outros organismos. O público também pode interagir com peças reais, conhecer detalhes das escavações e compreender por que a região é tão rica em achados paleontológicos.

Entre os destaques estão as réplicas em tamanho real de um titanossauro, com cerca de 12 metros de comprimento, instalada na área externa, e de um abelissauro, exposta no interior do museu. O espaço ainda conta com recursos tecnológicos, como realidade virtual, totens informativos e QR Codes, que tornam a visita mais interativa.

A trajetória de descobertas também rendeu reconhecimento ao trabalho de Nava

A trajetória de descobertas também rendeu reconhecimento ao trabalho de Nava. Espécies identificadas posteriormente receberam seu nome em homenagem, como o crocodilo Adamantinasuchus navae, o anfíbio pré-histórico Mariliabatrachus navai e a ave Navaornis hestiae, descrita em 2024 na revista científica Nature.

As escavações lideradas pelo paleontólogo se expandiram por diversas regiões, incluindo estradas rurais, o Vale do Rio do Peixe e municípios vizinhos como Pompeia, Oscar Bressane, Adamantina e Presidente Prudente, revelando fósseis de dinossauros, peixes e outros vertebrados preservados em rochas sedimentares.

Um dos achados mais relevantes ocorreu em 2009, às margens da rodovia SP-333, entre Marília e Júlio Mesquita. A escavação, realizada em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília, resultou na recuperação de grande parte do esqueleto de um titanossauro — considerado um dos mais completos já encontrados no Brasil.

Diante da importância desse legado, a administração municipal já anunciou a construção de um novo Museu de Paleontologia, mais amplo e moderno, com o objetivo de fortalecer ainda mais o turismo científico e cultural da cidade.

Celebrar os 33 anos dessa descoberta é reconhecer não apenas um feito científico, mas um patrimônio que integra a identidade de Marília e projeta seu nome para além das fronteiras regionais.

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