Estudo realizado por entidades do setor evidencia desafios na rentabilidade e subsidia decisões estratégicas dos produtores
O custo de produção da banana nanica no Vale do Ribeira tem enfrentado pressão crescente, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores da região. O cenário foi detalhado em levantamento realizado no âmbito do Projeto Campo Futuro, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com apoio do Sindicato Rural do Vale do Ribeira e da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (ABAVAR), e execução técnica do Centro de Inteligência em Mercado da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
O estudo reuniu produtores e lideranças rurais da região para mapear os custos da atividade, gerando informações estratégicas que contribuem para a gestão das propriedades e para a tomada de decisões no campo. A proposta do Projeto Campo Futuro é justamente aliar capacitação à produção de dados qualificados sobre diferentes cadeias agropecuárias.
Como referência, foi definida uma propriedade modal de 25 hectares, com cultivo não irrigado e semimecanizado, e produtividade média estimada em 30 toneladas por hectare. A análise da estrutura de custos revelou a predominância da mão de obra, responsável por 39% do desembolso direto, evidenciando o caráter intensivo da cultura. Em relação a insumos, o estudo aponta que representam 32% dos custos, com destaque para fertilizantes e defensivos. Outros componentes relevantes são os gastos administrativos, despesas com a colheita e juros de custeio, que somam 22%, além da mecanização, com 7%.
De acordo com o levantamento, a combinação entre custos elevados — especialmente com mão de obra e insumos — e a volatilidade dos preços recebidos na comercialização tem pressionado as margens da atividade, criando um ambiente desafiador para os produtores da região.
Nesse contexto, o estudo reforça o papel estratégico do Projeto Campo Futuro ao fornecer dados técnicos consistentes, fundamentais para orientar o planejamento produtivo, fortalecer a gestão rural e embasar a atuação institucional em defesa de políticas públicas mais alinhadas à realidade do setor.
Participaram do encontro o presidente do Sindicato Rural do Vale do Ribeira, Jairo de Oliveira; a presidente do Sindicato Rural de Iguape, Carla Campanha; o presidente do Sindicato Rural de Miracatu, Joaquim Branco; e o vereador em Registro e membro da Comissão Técnica de Fruticultura da Faesp, Jeferson Magario.












