Inverno aumenta os casos de gripe canina; saiba como prevenir

Inverno aumenta risco de gripe canina e infecções respiratórias em petsFreepik/divulgação

As doenças respiratórias costumam se tornar mais frequentes nos meses de inverno, período em que as temperaturas mais baixas, o ar seco e a permanência dos cães em ambientes fechados favorecem a disseminação de agentes infecciosos.

Diante desse cenário, a WeVets destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da gripe canina, também conhecida como traqueobronquite infecciosa canina.

Um estudo publicado no Brazilian Journal of Microbiology identificou agentes respiratórios em 78% das amostras analisadas de cães mantidos em ambientes coletivos, como creches, hotéis e espaços de convivência para pets.

O levantamento reforça o potencial de transmissão da doença em locais onde há contato frequente entre os animais.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que 44% dos casos positivos apresentavam coinfecção, ou seja, mais de um agente infeccioso atuando simultaneamente.

A gripe canina pode ser causada por diferentes vírus e bactérias, incluindo a Bordetella bronchiseptica. Apesar de, na maioria das situações, apresentar boa evolução clínica quando tratada corretamente, a doença pode evoluir para complicações importantes, especialmente em filhotes, cães idosos e animais com imunidade comprometida.

“Existe uma percepção equivocada de que a gripe canina é apenas uma tosse passageira. Embora muitos pacientes apresentem quadros leves, trata-se de uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para infecções respiratórias mais graves quando não diagnosticada e tratada precocemente”, explica Gustavo Gonçalves, veterinário da WeVets.

Por que a gripe canina aumenta no inverno?

Assim como acontece com diversas doenças respiratórias em humanos, o inverno cria condições favoráveis para a disseminação da gripe canina. As temperaturas mais baixas, a redução da umidade do ar e o aumento da permanência dos animais em ambientes compartilhados facilitam a circulação de vírus e bactérias.

Além disso, o clima seco pode irritar as vias respiratórias, tornando os cães mais vulneráveis às infecções. Quando esse fator se soma ao contato frequente entre animais em hotéis, creches, parques e outros espaços coletivos, o risco de transmissão cresce de forma significativa.

“O clima seco e o ar frio causam irritação das vias respiratórias e podem deixar o organismo mais suscetível a infecções. Quando esse fator se soma ao contato frequente entre cães em espaços coletivos, o potencial de transmissão aumenta significativamente”, afirma o especialista.

Segundo veterinários, esse cenário faz com que os meses mais frios concentrem um aumento dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias, principalmente em locais com grande circulação de cães.

Quais são os sintomas?

Um dos principais desafios para o diagnóstico precoce é que muitos tutores confundem os primeiros sinais da gripe canina com um simples engasgo. A tosse característica da doença costuma ser seca, intensa e repetitiva, dando a impressão de que o cachorro tenta expelir algo preso na garganta.

Além da tosse persistente, outros sintomas podem aparecer conforme a evolução do quadro.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Tosse persistente;
  • Engasgos frequentes;
  • Espirros;
  • Coriza;
  • Cansaço;
  • Febre;
  • Redução do apetite.

Caso esses sintomas sejam observados, o ideal é procurar atendimento veterinário o quanto antes, evitando tanto o agravamento da doença quanto a transmissão para outros cães.

Inverno aumenta os casos de gripe caninaImagem criada por IA

“Muitos tutores procuram atendimento acreditando que o cão está engasgado, quando na verdade ele apresenta o sintoma clássico da gripe canina. Quanto mais cedo a doença for identificada, menores são as chances de agravamento e de transmissão para outros animais”, alerta o veterinário.

Quais cães merecem mais atenção?

Embora cães de qualquer idade possam desenvolver gripe canina, alguns grupos apresentam maior risco de complicações.

Filhotes, cães idosos, animais com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos possuem maior probabilidade de evoluir para quadros respiratórios mais severos, incluindo broncopneumonias, que exigem tratamento intensivo.

Os cães braquicefálicos, como Pug, Bulldog Francês, Shih Tzu e Boston Terrier, também merecem atenção redobrada. Por apresentarem características anatômicas que naturalmente dificultam a respiração, esses animais podem sofrer mais quando desenvolvem infecções respiratórias.

Como prevenir a gripe canina?

A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e reduz significativamente tanto o risco de infecção quanto a gravidade dos sintomas. Entretanto, ela deve estar associada a medidas simples de manejo e higiene para oferecer uma proteção ainda maior.

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Entre as principais recomendações estão:

Manter a vacinação em dia

A imunização é a maneira mais eficaz de proteger os cães contra a gripe canina e reduzir as chances de complicações. Por isso, manter o calendário vacinal atualizado é fundamental.

Evitar contato com animais doentes

Caso um cão apresente tosse ou outros sinais respiratórios, o ideal é evitar sua permanência em locais coletivos até que seja avaliado por um veterinário.

Verificar os protocolos sanitários de hotéis e creches

Antes de deixar o pet em ambientes compartilhados, vale conferir se o estabelecimento exige carteira de vacinação atualizada e adota medidas de higiene e controle sanitário.

Estimular a hidratação

Manter o cachorro bem hidratado ajuda a preservar a saúde das vias respiratórias e favorece o funcionamento adequado do organismo durante os períodos mais secos.

Garantir boa ventilação dos ambientes

Mesmo no inverno, é importante manter a circulação de ar nos ambientes, reduzindo a concentração de agentes infecciosos e melhorando a qualidade do ar para os animais.

Evitar a automedicação

Medicamentos de uso humano podem ser tóxicos para os cães e mascarar sintomas importantes. Todo tratamento deve ser indicado por um médico-veterinário.

Quando procurar um veterinário?

Ao notar tosse persistente, dificuldade respiratória, secreções nasais, febre, apatia ou perda de apetite, a recomendação é procurar atendimento veterinário o quanto antes.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação rápida, reduz o risco de complicações e também ajuda a impedir que outros animais sejam contaminados.

“Quanto mais rápido o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de recuperação sem complicações. O inverno exige atenção especial dos tutores porque pequenas alterações respiratórias podem evoluir rapidamente em pacientes mais vulneráveis”, conclui o especialista.

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