Por Cris Silva
Existem lugares que a gente visita e continua carregando dentro de si. Foi assim quando conheci os Jardins do Ipê, em Marília. Eu havia ido conhecer um empreendimento, mas saí pensando sobre convivência, cuidado e sobre aquilo que realmente procuramos quando escolhemos um lugar para morar. Ao receber Silvia Belucci Lucchi no episódio #72 do Podcast Empodera Aí, Cris!, pude compreender melhor a história que havia por trás de cada detalhe que me encantou.
Designer, artista e empresária, Silvia nasceu em São Paulo, estudou na Itália, viveu na Holanda e trouxe para Marília uma bagagem que vai além de sua formação profissional. Sua trajetória reúne experiências com arte, moda, cenografia e design, mas também encontros, descobertas e mudanças de direção. Aquele projeto carregava muito da mulher que ela se tornou ao longo desse caminho.
Uma reflexão nasceu em mim durante nossa conversa: a casa dos nossos sonhos começa muito antes da porta de entrada. Começa no caminho que percorremos, na paisagem que encontramos, nas possibilidades de convivência e na sensação de que existe espaço para nós naquele lugar. Silvia não disse essa frase dessa forma. Foi o que sua história e sua maneira de pensar os espaços despertaram em mim.
Quantas vezes imaginamos a moradia ideal escolhendo a fachada, os móveis, o tamanho dos cômodos e os acabamentos? Tudo isso importa. Mas, naquela conversa, comecei a pensar também no que acontece quando saímos da sala. Onde uma criança pode brincar? Onde um adolescente pode encontrar os amigos? Onde uma pessoa mais velha pode sentar, conversar e se sentir incluída? Que possibilidades o entorno oferece à vida que acontece dentro de casa?
Para compreender esse olhar, precisamos voltar à jovem que saiu do Brasil aos 22 anos. Silvia estudava arquitetura quando se mudou para a Itália. Chegou acreditando que conseguia se comunicar em italiano, até perceber que a realidade exigia mais do que aquilo que havia aprendido. Ela contou que encontrou no cinema uma maneira de se aproximar da língua: passava horas assistindo a filmes italianos, ouvindo, aprendendo e, aos poucos, ganhando confiança.
Essa experiência revela algo que atravessa sua trajetória: a disposição de aprender vivendo. Sua formação prosseguiu na Academia de Belas Artes, com cenografia e figurino, e depois em uma pós-graduação em moda. Entre pessoas de diferentes países e culturas, Silvia ampliou seu repertório e encontrou novas possibilidades para sua criatividade. Mais tarde, a experiência na Holanda acrescentou outra dimensão a esse aprendizado: a atenção à vida coletiva.
Ela trouxe um exemplo simples, mas revelador: um carro mal estacionado poderia ocupar o espaço que serviria a outra pessoa. O aviso que recebeu sobre isso, inicialmente desconfortável, passou a representar para ela um valor: perceber que nossas escolhas também afetam quem está ao lado. Pensei em quantas relações poderiam ser diferentes se esse cuidado estivesse mais presente no nosso cotidiano.
Essa consciência aparece na forma como ela descreve os projetos em Marília. Antes de definir os espaços, existe uma pergunta sobre como servir às pessoas que vão utilizá-los. Essa pergunta precisa considerar necessidades distintas. Uma família com um bebê vive uma rotina diferente daquela que tem filhos adolescentes. Uma pessoa que deseja caminhar procura algo diferente de quem quer reunir amigos. Compreender essas diferenças faz parte do projeto.
A atenção dedicada aos jovens merece destaque. Silvia falou sobre espaços pensados para encontros, jogos, música, teatro e outras formas de expressão, além do skate. Quantas vezes pedimos que os adolescentes saiam das telas, mas oferecemos poucas possibilidades de convivência que façam sentido para eles? Essa foi uma das perguntas que ficaram comigo. Pensar em uma comunidade também exige dar lugar a quem está descobrindo a própria identidade.
Como psicóloga e como alguém que trabalha com conexões, encontrei muito sentido nessa proposta. Um espaço pode oferecer oportunidades para que as pessoas se aproximem: um caminho agradável para andar, uma praça onde seja possível permanecer, um ambiente com atividades para diferentes gerações. A convivência depende das pessoas, mas o lugar pode favorecer o encontro.
A natureza ocupa um papel importante nessa história. Silvia contou que, quando chegou a Marília, uma árvore era, para ela, um objeto verde. Com o tempo, as árvores ganharam nomes, características e identidade. Ao criar um viveiro e acompanhar o desenvolvimento das plantas, descobriu um universo pelo qual se apaixonou. Sua experiência mostra como o cuidado cresce quando passamos a conhecer aquilo que está diante de nós.
Na minha visita, percebi essa atenção nos aromas, nas plantas e na harmonia dos espaços. Durante o podcast, pude relacionar o que havia sentido ao trabalho que ela descrevia. Há escolhas pensadas para favorecer o caminhar, aproximar os espaços de lazer e integrar o paisagismo ao cotidiano. O encantamento que vivi tinha uma história de observação e dedicação por trás.
Sua vontade de participar da execução dos projetos também revela esse cuidado. Ao contar sobre uma calçada com pequenas pedras, Silvia explicou que se senta ao lado de quem está executando o trabalho, separa as cores e ajuda a construir a composição. Reconheci ali a artista que continua presente na empresária. Mesmo em um projeto de grande dimensão, ela encontra uma forma de colocar as mãos naquilo que está criando.
A maternidade trouxe outra transformação. Silvia contou que ser mãe ampliou sua empatia e mudou sua maneira de enxergar o mundo. Ao ouvi-la falar sobre o filho, compreendi melhor por que sua trajetória não cabe apenas em um currículo. A profissional que pensa em espaços para diferentes idades também foi sendo formada pelas experiências de uma mulher que aprendeu a observar novas necessidades, respeitar outros ritmos e rever suas próprias escolhas.
Na empresa familiar, essa construção também nasce da parceria com o marido. Silvia descreveu uma afinidade estética e de pensamento que se soma à complementaridade das competências de ambos. As questões técnicas, os contratos, os números, a direção de arte e o paisagismo fazem parte de um trabalho em diálogo, realizado com outros profissionais. Ao ouvi-la, percebi que o cuidado presente nos espaços também se expressa na maneira como eles constroem juntos.
Quando a conversa terminou, voltei mentalmente à minha visita aos Jardins do Ipê. Eu havia percebido beleza. Agora, compreendia melhor o pensamento que a sustentava. A trajetória internacional, a arte, a vida em família e a experiência de aprender com outras culturas se encontravam naquele projeto. A proposta de morar estava ligada à possibilidade de caminhar, encontrar pessoas e aproveitar o lugar em diferentes fases da vida.
Talvez seja esse o convite que a história de Silvia nos deixa: olhar com mais atenção para o que esperamos de um lar. Além de perguntar como queremos que a nossa casa seja, podemos nos perguntar que vida desejamos construir ao redor dela. Onde haverá espaço para o descanso, para as relações, para os filhos crescerem e para nós continuarmos descobrindo novas formas de viver?
Se essa reflexão também fez sentido para você, convido você a assistir ao episódio #72 completo do Podcast Empodera Aí, Cris!, com Silvia Belucci Lucchi, no YouTube.
Quer conhecer mais sobre os Jardins do Ipê e o trabalho da LEI Incorporadora? Silvia deixou um convite que reforço com carinho: conheça o empreendimento e permita-se experimentar essa proposta de viver. Foi durante a minha visita que compreendi o que ela compartilhou conosco: um lugar também pode nos convidar a caminhar, conviver e criar novas memórias.
Para informações e visitas:
• Endereço de atendimento: Alameda das Guarirobas, 66 — Jardim Aeroporto, Marília/SP.
• Telefone: (14) 99195-3719
• Site do empreendimento: www.jardinsdoipe.com.br
• Site da incorporadora: www.lei-ltda.comjardinsdoipe.com.br
Episódio gravado nos estúdios da Unimar EAD, com mediação conduzida por mim, Cris Silva, em uma escuta ativa e sensível, onde histórias reais se transformam em reflexões que continuam depois que as câmeras se desligam.
Seguimos juntos: empoderando histórias, construindo conexões e transformando realidades com propósito.
Com carinho, Cris Silva
CEO da Ducris | Psicóloga clínica | Mentora de Network com propósito | Apresentadora do podcast Empodera Aí, Cris!













