Guarda compartilhada de pets exige atenção à alimentação

A regulamentação da guarda compartilhada de animais de estimação após separações trouxe um novo desafio para tutores: manter a rotina dos pets equilibrada entre duas casas.

Com a Lei 15.392/2026 em vigor, cresce a necessidade de organização para garantir que a saúde dos animais não seja prejudicada pela mudança de ambiente.

Embora a divisão de convivência seja um avanço para quem considera cães e gatos parte da família, especialistas chamam atenção para pontos práticos do dia a dia, principalmente a alimentação.

Alterações frequentes de horários, dieta ou até a oferta excessiva de petiscos podem causar desconfortos e afetar o bem-estar dos animais.

A veterinária Mayara Andrade, da Guabi Natural (MBRF Pet), destaca que a previsibilidade é um fator essencial nesse processo.

“Quando o pet passa a alternar entre dois ambientes, o ideal é que a rotina alimentar permaneça o mais estável possível. Isso significa manter o mesmo alimento, respeitar os horários das refeições e seguir as quantidades recomendadas para o animal. Mudanças frequentes na dieta podem provocar desconfortos digestivos e dificultar o acompanhamento da saúde nutricional”, explica.

Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é a falta de alinhamento entre os tutores. Em muitos casos, cada um oferece um tipo de alimento diferente, o que pode gerar desequilíbrios nutricionais. A recomendação é definir previamente qual ração será utilizada e manter esse padrão em ambos os lares.

“Mesmo quando os responsáveis têm boas intenções, é comum que cada um queira agradar o animal de uma forma diferente. Mas oferecer alimentos distintos em cada casa pode causar desequilíbrio nutricional ou excesso de calorias. O melhor caminho é manter o mesmo alimento, independentemente de onde o pet esteja”, afirma.

Os petiscos também merecem atenção redobrada. Sem comunicação, o animal pode acabar recebendo mais do que o indicado ao longo do dia. De acordo com orientações veterinárias, essas recompensas devem representar apenas uma pequena parcela da ingestão calórica diária.

Além da alimentação, a troca de informações entre os tutores é apontada como fundamental. Dados sobre peso, comportamento e possíveis restrições alimentares precisam ser compartilhados com frequência para evitar problemas futuros.

“Os pets dependem da previsibilidade para se sentirem seguros. Quando a alimentação, os horários e os cuidados básicos são mantidos de forma consistente nas duas casas, o animal consegue se adaptar melhor à nova rotina e manter a saúde em equilíbrio”, conclui Mayara.

Com a nova lei, dividir o tempo com o animal vai além da convivência. Exige responsabilidade conjunta para assegurar que, independentemente de onde esteja, o pet receba os mesmos cuidados.

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