Reunião em Barretos destaca a ampliação da responsabilidade sobre a vigilância epidemiológica e exige avanços no controle e na erradicação de outras doenças dos rebanhos
O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, uma luta de muitas décadas, representa uma das maiores conquistas da pecuária nacional, mas também inaugura uma etapa de ainda maior responsabilidade para produtores e órgãos de defesa sanitária. Preservar esse status exige uma vigilância epidemiológica cada vez mais eficiente, rápida capacidade de identificação e resposta diante de qualquer suspeita sanitária e integração permanente entre poder público e setor produtivo. Ao mesmo tempo, o país precisa avançar no controle e na erradicação de outras enfermidades que ainda afetam os rebanhos, ampliando a qualidade e a segurança dos produtos brasileiros e fortalecendo o acesso aos mercados internacionais mais exigentes.
Esse novo cenário esteve no centro das discussões acompanhadas pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), nesta terça-feira (25), durante o painel técnico internacional “Do Pasto ao Porto Chegando ao Rodeio: Fortalecendo a Sanidade Animal e o Comércio Agrícola por meio da Parceria EUA-Brasil”, realizado na Pousada dos Tropeiros, no Parque do Peão de Barretos, durante a Festa do Peão. Promovido pelo Serviço de Inspeção Sanitária de Animais e Plantas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA-APHIS) e pelo USDA-FAS-ATO, com colaboração da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (CDA), do grupo Os Independentes e apoio da Faesp, o encontro reuniu especialistas brasileiros e norte-americanos para aprofundar a cooperação em defesa sanitária.
Gestores de sanidade animal, médicos-veterinários, produtores rurais, organizações internacionais e lideranças do agronegócio debateram temas que se tornam ainda mais estratégicos diante do novo status sanitário brasileiro. Entre eles estão a notificação rápida de doenças, biossegurança nas propriedades, vigilância epidemiológica, controle de zoonoses como brucelose e tuberculose, genética, nutrição animal e intercâmbio de conhecimento entre Brasil e Estados Unidos. A programação contou com representantes da Defesa Agropecuária de São Paulo, USDA-APHIS, CDC, PBR Brasil, NRHA (National Reined Cow Horse Association) e AFIA (American Feed Industry Association), entre outras instituições.
Para a Faesp, a conquista relacionada à febre aftosa precisa ser transformada em impulso para um novo ciclo de evolução da defesa agropecuária brasileira. Sem a vacinação sistemática contra a doença, a vigilância passa a ocupar papel ainda mais decisivo, exigindo atenção permanente aos rebanhos, comunicação imediata de suspeitas, controle da movimentação de animais, biossegurança nas propriedades, capacidade laboratorial e atuação integrada dos serviços veterinários oficiais com os produtores. Paralelamente, avançar no enfrentamento de enfermidades como brucelose e tuberculose é fundamental não apenas para reduzir perdas econômicas, mas também para proteger a saúde animal e humana, assegurar a qualidade dos alimentos e elevar a competitividade da produção nacional. A sanidade é, cada vez mais, um patrimônio econômico do agro e uma credencial para conquistar e preservar mercados.
A Federação participou do painel de especialistas por meio de seu vice-presidente, Cyro Penna, que apresentou uma retrospectiva da evolução do rodeio e da pecuária no estado de São Paulo, inserindo a tradição e a dimensão econômica do setor no debate internacional sobre sanidade e competitividade. Para ele, ampliar a cooperação entre produtores, entidades representativas, órgãos de defesa agropecuária e instituições internacionais é decisivo para antecipar riscos e construir uma pecuária cada vez mais segura. “O desafio agora é preservar as conquistas alcançadas e avançar: fortalecer a vigilância epidemiológica, combater as doenças ainda presentes nos rebanhos e fazer da excelência sanitária brasileira um diferencial permanente de qualidade, segurança alimentar e abertura de mercados”, concluiu.












