Novo relatório do Departamento Econômico da Federação destaca que transição sazonal e fatores internacionais pressionam os custos de produção no campo, embora fertilizantes tenham registrado recuo
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) divulgou a 56ª edição do seu Relatório de Acompanhamento Mensal dos Preços de Insumos, com dados referentes a setembro de 2026, elaborado pelo Departamento Econômico. O levantamento aponta um cenário misto no mercado agropecuário paulista, marcado por altas expressivas em itens voltados à pecuária, defensivos agrícolas e combustíveis, contrabalanceadas por quedas nos preços dos adubos e corretivos.
No segmento pecuário, o avanço nos preços das rações, itens de suplementação mineral e defensivos é associado à transição do período seco para o chuvoso. A perda de qualidade das pastagens de inverno exigiu dos produtores maior atenção para evitar o desabastecimento dos cochos e a perda de peso dos animais. Entre as principais altas na suplementação destacaram-se o sal energético com 12% de PB e 7,6% de NNP (+13,0%) e o sal mineral com 90g de P (+10,6%). No grupo de rações, o concentrado para engorda com 18% de PB subiu 11,2%.
Já no grupo de defensivos agrícolas, os valores foram impulsionados principalmente pelos herbicidas, pressionados pela alta dos custos industriais na China, principal fabricante mundial. Os maiores destaques de alta no mês foram o Pottente (+19,5%) e o Flumizyn (+18,5%).
Os combustíveis também registraram alta generalizada em setembro — etanol subiu 4,0%, diesel 1,9% e gasolina 0,1% —, refletindo limitações na oferta internacional decorrentes de restrições logísticas no Estreito de Ormuz e problemas em refinarias russas.
Em contrapartida, os adubos e corretivos apresentaram alívio nos preços. O cloreto de potássio (KCl) granulado recuou 19,4%, e os formulados 20-00-20 e 20-05-20 registraram quedas próximas a 10%. Os medicamentos veterinários mantiveram-se estáveis no comparativo mensal, amparados por avanços regulatórios de incentivos a genéricos e pela valorização da arroba do boi, embora a variação acumulada em 12 meses siga em patamar positivo.
O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, pontuou que a volatilidade nos custos exige atenção contínua da entidade em defesa do setor produtivo: “O aumento nos custos de produção em áreas vitais da atividade agropecuária eleva o risco para as margens do produtor rural. A FAESP continua trabalhando incansavelmente para reverter esses danos e buscar soluções estruturais que assegurem o equilíbrio econômico do produtor paulista.”
Para consultar o relatório completo, clique na imagem abaixo.













