As doenças que afetam o fígado de cães e gatos costumam evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, só são descobertas durante exames de rotina.
Por desempenhar funções essenciais no organismo, como o metabolismo dos nutrientes, a produção da bile e a eliminação de substâncias, qualquer alteração nesse órgão exige atenção e um tratamento que vai além dos medicamentos.
Os primeiros indícios podem ser discretos. Diminuição do apetite, vômitos frequentes, perda de peso, apatia, aumento da sede, urina escura e coloração amarelada nos olhos, na pele ou nas gengivas estão entre os sinais que devem motivar uma consulta ao veterinário.
De acordo com Lucas Piza, veterinário e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal, a dificuldade em identificar o problema logo no início está relacionada à capacidade de compensação do próprio órgão.
“O fígado consegue compensar parte das alterações por algum tempo, o que pode atrasar a percepção dos sinais clínicos. Por isso, quando há suspeita de hepatopatia, a avaliação não deve considerar apenas os sintomas visíveis, mas também exames laboratoriais, uso de medicamentos e avaliação nutricional”, explica.
Dieta faz parte do tratamento
Depois do diagnóstico, a alimentação passa a ter papel importante na recuperação e no controle da doença. A escolha dos nutrientes, assim como a quantidade de calorias, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, precisa ser definida de forma individualizada, considerando a espécie, o estado clínico, a aceitação do alimento e outras doenças que o animal possa apresentar.
Além da dieta específica, o veterinário pode indicar nutracêuticos para oferecer suporte ao fígado. Entre eles está a S-adenosil-L-metionina (SAM-e), substância que participa de reações metabólicas e da produção de compostos antioxidantes, contribuindo para a proteção das células hepáticas.
Segundo Lucas, esses produtos não substituem o tratamento convencional.
“A suplementação não deve ser vista como uma medida isolada, mas como parte de uma estratégia integrada. Ela pode auxiliar funções importantes do organismo, desde que esteja associada ao acompanhamento veterinário, à dieta adequada e ao tratamento da condição de base”, afirma.
Atenção aos hábitos do pet
Observar mudanças no comportamento também ajuda a identificar a evolução do quadro. Animais com alterações hepáticas podem passar a rejeitar alimentos que antes consumiam normalmente, apresentar enjoos, seletividade alimentar ou dificuldade para manter uma ingestão adequada ao longo do dia.
“O responsável tem um papel essencial porque acompanha o comportamento do animal no ambiente em que ele vive. Mudanças no apetite, na disposição, no peso e na rotina digestiva fornecem pistas importantes para a avaliação clínica”, reforça Lucas.
Em alguns casos, o acompanhamento inclui refeições fracionadas, controle de náuseas, ajustes frequentes na alimentação, suplementação e exames periódicos para monitorar a resposta ao tratamento.
Embora as hepatopatias tenham diferentes causas e exigências, o acompanhamento precoce e um plano nutricional adequado podem contribuir para preservar a qualidade de vida dos pets e reduzir as complicações provocadas pela doença.













