Doenças crônicas desafiam cuidados com gatos no Brasil

O aumento da expectativa de vida dos gatos tem trazido novos desafios para a medicina veterinária.

Com os felinos vivendo mais, especialistas observam um crescimento na incidência de doenças crônicas que demandam monitoramento constante, entre elas a doença renal crônica, a anemia associada a enfermidades renais e o diabetes felino.

A discussão ganhou destaque durante o Cat Congress 2026, encontro voltado à atualização científica de veterinários. O tema acompanha uma transformação no perfil da população pet brasileira.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o país conta atualmente com cerca de 30 milhões de gatos domésticos, consolidando os felinos entre os animais de estimação que mais crescem nos lares brasileiros.

O aumento da expectativa de vida dos pets tem contribuído para a identificação mais frequente de enfermidades antes consideradas menos comuns.

Para a veterinária e zootecnista Camila Camalionte, a longevidade dos gatos está diretamente relacionada a esse novo cenário clínico.

Condições como doença renal crônica, anemia e diabetes felino têm se tornado cada vez mais frequentes na rotina clínica. Nosso foco é oferecer soluções que tragam mais qualidade de vida aos gatos e mais praticidade terapêutica aos tutores, contribuindo para tratamentos mais seguros, eficazes e com maior adesão”, destaca.

Doença renal está entre os principais desafios

Entre as enfermidades mais preocupantes para os especialistas está a doença renal crônica (DRC), considerada uma das condições mais frequentes em gatos idosos.

Estudos indicam que entre 15% e 30% dos felinos com mais de 12 anos convivem com o problema, que costuma evoluir lentamente e muitas vezes é descoberto apenas em fases mais avançadas.

Além do comprometimento dos rins, a enfermidade pode desencadear outras complicações. Dados apresentados durante o congresso apontam que até 65% dos gatos com progressão da doença desenvolvem anemia associada à insuficiência renal, quadro que pode causar fraqueza, perda de apetite e redução da qualidade de vida.

Medicina felina ganha espaço

O crescimento da população de gatos também tem impulsionado a busca por tratamentos mais específicos.

Diferentemente dos cães, os felinos apresentam características fisiológicas e comportamentais próprias, o que exige abordagens adaptadas para diagnóstico, manejo e administração de medicamentos.

Segundo Mariana Gabaldi, gerente de produto de Pet Health da Elanco Brasil, a medicina felina vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos.

Os gatos ganham cada vez mais relevância dentro da clínica veterinária. Hoje, existe uma demanda crescente por terapias específicas, diagnósticos mais precoces e tratamentos que respeitem as particularidades fisiológicas e comportamentais dos gatos. A participação da Elanco no Cat Congress reforça nosso compromisso em apoiar os médicos-veterinários com inovação, ciência e soluções desenvolvidas especialmente para essa realidade clínica”, afirma.

Atenção aos sinais faz diferença

Especialistas ressaltam que a detecção precoce continua sendo uma das principais ferramentas para aumentar as chances de sucesso nos tratamentos.

Alterações de comportamento, perda de peso sem causa aparente, aumento da ingestão de água, mudanças no apetite e redução da disposição podem indicar que algo não vai bem com a saúde do animal.

Por isso, consultas regulares e exames preventivos tornam-se ainda mais importantes à medida que os gatos envelhecem. O acompanhamento veterinário permite identificar doenças em estágios iniciais e iniciar intervenções antes que elas comprometam de forma significativa a qualidade de vida dos felinos.

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