Após confirmação de foco em Santa Catarina, Federação orienta avicultores paulistas a intensificar medidas de biosseguridade, destaca a segurança do consumo de aves e ovos e defende a regionalização das restrições comerciais
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) está mobilizando os Sindicatos Rurais paulistas para reforçar as medidas de biosseguridade nas granjas, após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle (DNC) em uma unidade comercial de criação de perus em Santa Catarina. O Sistema Faesp/Senar acompanha as ações adotadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo serviço estadual de defesa agropecuária, que acionaram o Plano de Contingência, com interdição da propriedade, abate sanitário, desinfecção e rastreamento epidemiológico. A Federação manifesta confiança na capacidade de resposta do Serviço Veterinário Oficial brasileiro e ressalta que o consumo de carne de aves e ovos inspecionados permanece seguro, não havendo motivo para mudanças nos hábitos alimentares da população.
A ocorrência também provocou restrições comerciais internacionais, com suspensão das importações de determinados produtos avícolas brasileiros pela Malásia e pelo México, enquanto Arábia Saudita, China e Chile adotaram medidas específicas para produtos provenientes de Santa Catarina. A Faesp defende que as negociações sanitárias sejam conduzidas com rigor técnico, transparência e diplomacia, respeitando o princípio da regionalização, para evitar que um foco localizado comprometa as exportações de regiões não afetadas. A entidade destaca que a proteção sanitária precisa caminhar ao lado da segurança econômica dos produtores, preservando a credibilidade da avicultura brasileira e a continuidade do abastecimento nacional e internacional.
A preocupação é especialmente relevante para São Paulo, um dos principais polos avícolas do país. Em 2025, o estado produziu 14,98 bilhões de ovos, equivalentes a 25,2% da produção nacional, liderando as exportações brasileiras do produto, com receita de US$ 60,26 milhões. Somente no primeiro semestre de 2026, a produção paulista alcançou 7,32 bilhões de unidades, enquanto as exportações acumuladas no ano somaram US$ 52,29 milhões, correspondentes a 41,6% da receita nacional.
Na avicultura de corte, os frigoríficos paulistas abateram 753,8 milhões de aves em 2025, com produção de 1,69 milhão de toneladas e exportações de US$ 545,47 milhões. Já no primeiro semestre de 2026, foram abatidas 382,1 milhões de aves, com produção de 870,7 mil toneladas. Os embarques acumulados no ano alcançaram US$ 421,97 milhões, destinados a mais de 120 países, demonstrando a importância estratégica da sanidade para a manutenção dos mercados e da competitividade paulista.
Por meio de sua rede de Sindicatos Rurais, o Sistema Faesp/Senar intensifica a orientação aos avicultores para a adoção rigorosa dos protocolos de biosseguridade, incluindo controle de acesso de pessoas e veículos, desinfecção de caminhões e equipamentos, utilização de roupas exclusivas nas instalações, manutenção de telas para impedir o contato com aves de vida livre e cumprimento dos programas sanitários e de vacinação aplicáveis. A Federação também reforça a necessidade de comunicação imediata à Defesa Agropecuária diante de sinais clínicos suspeitos ou mortalidade atípica.













