Dedicação que vira mobilidade: a missão de devolver vida em movimento com Leandro Franco

Por: Cris Silva

20/01/2026

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Três gerações, 30 anos de ofício e uma empresa que não vende produtos — entrega autonomia, dignidade e esperança.

Por Cris Silva

Algumas conversas chegam como entrevista. Outras chegam como lembrança. Como presença. Como um “era pra eu ouvir isso hoje”.

No episódio #46 do Podcast Empodera Aí, Cris!, eu recebi Leandro Franco, diretor da CopMed, hortesista e protesista, herdeiro de um legado de mais de 60 anos em Marília. E eu saí desse bate-papo com uma certeza: tem profissões que não são só trabalho — são chamados.

Porque o que Leandro faz não é “só” prótese, órtese, calçado ortopédico ou adaptação de cadeira. O que ele faz é devolver uma coisa que muita gente só percebe quando perde: a possibilidade de ir e vir.

Um legado que começou na dor — e virou missão

A história da Copmed começa antes de Leandro. Começa no avô.

O avô veio de São Paulo para trabalhar em uma clínica em Marília, numa época em que havia muitos casos de paralisia infantil e a necessidade de aparelhos auxiliares era enorme. Ali, dentro daquele cenário duro, nasceu uma habilidade rara: transformar técnica em cuidado.

Esse conhecimento passou para o pai. E do pai, chegou no Leandro — que cresceu entre oficina e atendimento, entre molde e ajuste, entre observação e aprendizado silencioso.E tem algo bonito nisso: ele não “virou” da noite pro dia. Ele foi se tornando. Aos 13 anos, já ajudava no laboratório. Hoje, soma mais de 30 anos de profissão — e carrega a responsabilidade técnica e a direção da empresa.

CopMed: quando o cuidado tem quatro caminhos — e um destinoNo papo, Leandro explicou o que muita gente ainda não conhece: a Copmed atua em quatro frentes, sempre com o mesmo propósito.

• Loja de produtos ortopédicos e acessibilidade (cadeiras, itens de apoio, adaptações)

• Aluguel de equipamentos (muletas, andadores, botas imobilizadoras, cadeira de roda e banho)

• Manutenção (cadeiras, camas hospitalares, ajustes e peças)

• E o coração do trabalho — a especialidade: produtos sob medida, como calçados ortopédicos (inclusive para pé diabético), órteses e próteses.

E aqui eu preciso dizer uma coisa: esse “sob medida” não é marketing. É vida real.Cada paciente é um universo. Cada corpo é um mapa. Cada caso exige presença.

Quando ver alguém andar vira oração silenciosa

Teve um momento do episódio em que eu senti a emoção na voz do Leandro.Porque quando ele fala de um paciente voltando a andar, não é sobre “funcionar”.

É sobre voltar a pertencer à própria vida.

É nesse instante que a técnica divide espaço com a emoção. Porque ali não é só ajuste, molde, prótese ou órtese. É dignidade voltando pro lugar.

Leandro também compartilha algo que me marcou: quando a aceitação do corpo com a prótese acontece, muitos pacientes retomam a rotina com tanta confiança que voltam a praticar esportes — alguns, inclusive, se tornam atletas.

Foi nesse momento, eu pensei: isso não é “um produto bem feito”.

Isso é vida recomeçando em movimento.Tradição com tecnologia: aprendizado constante

Teve algo no nosso bate-papo que me marcou profundamente: a forma como Leandro fala de inovação. Em nenhum momento ele fala de tecnologia como quem “abandona o passado”. Pelo contrário. Ele fala como quem entende que algumas profissões só seguem vivas quando aceitam evoluir.

A própria trajetória da área mostra isso. O que antes era chamado de técnico ortopédico, hoje é hortesista e protesista. E essa mudança não é só de nome. É sinal de um campo que amadureceu, se aprofundou e passou a exigir algo inegociável: atualização constante.Leandro nunca parou de estudar, se especializar, esta sempre em busca do novo, mesmo depois de décadas de prática.

Porque, enquanto muitos temem a tecnologia, ele decidiu caminhar com ela.Sua área vive em constante mudanças com: inteligência artificial, impressão 3D, scanners de leitura precisa, novos materiais — muitos importados — tudo integrado com um único propósito: devolver mobilidade, autonomia e dignidade a quem precisa.

“Não é só colocar uma prótese.” É um processo.Teve um momento do episódio que me fez parar e escutar com mais atenção: o esclarecimento. Porque ainda existe uma ideia simplista — e perigosa — de que prótese é “colocar e pronto”. E não é.

Leandro explica com muita responsabilidade que existe um processo. E ele começa muito antes da prótese existir.

Um processo multidisciplinar: pós-amputação, acompanhamento médico, psicológico, fisioterapia, preparação, avaliação, leitura do corpo, análise do perfil do paciente… até chegar na prótese ideal.

Leandro deixou claro que nada ali é automático. Cada corpo responde de um jeito. Cada pessoa tem seu tempo. E, sim, pode haver rejeição — não como fracasso, mas como parte de um caminho que precisa ser respeitado. Isso me tocou profundamente. Porque a pressa não pode mandar, quem manda é a vida. É o corpo. É o tempo interno de quem está reaprendendo a existir de outra forma.

E quando um profissional entende isso, ele não entrega só uma prótese.Ele caminha junto no processo.

Quem cuida de dores profundas também precisa aprender a se cuidar

Perguntei ao Leandro como ele cuida das próprias emoções, porque todos os dias ele lida com a vulnerabilidade humana — física, emocional e mental.

Com perdas que nem sempre aparecem em palavras, mas aparecem no corpo… e na alma.

A resposta dele veio simples e verdadeira “A gente se recarrega fazendo o que ama fora do trabalho.” Além de estar com a Família, gosto de pescar.Isso não é terapia, mas é terapêutico, é pausa, descanso, é silêncio interno. É o que permite sustentar um ritmo de trabalho tão intenso sem se perder de si.

Porque voltar inteiro faz toda diferença para sustentar emocionalmente quem chega frágil, assustado, tentando se reconstruir.

O que eu aprendi nesse bate-papo com o Leandro

Conversar com o Leandro me lembrou de algo que a gente esquece fácil na correria: existem pessoas que impactam o mundo sem levantar a voz.

Aprendi que cuidar não é só uma função técnica — é uma escolha diária.

Que existe um jeito silencioso de servir, onde o foco não é aparecer,mas estar inteiro para o outro.

Se você conhece alguém que precisa de mobilidade, acessibilidade, órtese ou prótese… compartilha esse conteúdo.

Porque informação certa, na hora certa, também é cuidado.

📺 Assista agora ao episódio #46 do Podcast Empodera Aí, Cris! com Leandro Franco no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=j4KSynID06g

Gravado nos estúdios da Unimar EAD, mediado por mim, Cris Silva em uma escuta ativa e sensível, onde histórias reais se transformam em impactos duradouros.

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Com todo meu carinho, Cris SilvaCEO da Ducris | Psicóloga | Mentora de Network com propósito | Apresentadora do podcast Empodera Aí, Cris!

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