Instrutora do Senar explica que produto está entre os que não sofrem com variação de preços e podem trazer bons resultados financeiros
No rol de cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Senar-SP), na área de Fruticultura, destaca-se entre as opções o de “Maracujá – manejo e tratos culturais”, tendo por objetivo o trabalho na lavoura dessa cultura, efetuando desde a condução e adubação até o controle de pragas e doenças.
Instrutora do Senar-SP desde 1999, a engenheira agrônoma Renata Sampaio Bassi explica que os pequenos produtores e trabalhadores rurais (público participante) “recebem informações nas quais conseguem produzir seus frutos.”
Assim como outros produtos, o preparo do solo, os insumos, a adubação e o controle de pragas são primordiais para um bom resultado. E o cultivo de maracujá compensa o investimento.
“Os participantes recebem informações nas quais conseguem produzir seus frutos. O tempo de cultivo depende do tamanho da muda a ser plantada. Pode variar de quatro a seis meses para produção”, explica Renata.
“Em compensação o cultivo do maracujá propicia ao produtor uma renda tanto por caixas, quanto por polpa. E o valor se mantém durante o ano, não é um produto que sofre variações. Tenho alunos que vendem para a Ceasa, quitandas e indústria.”
A instrutora e agrônoma diz que hoje o quilo da polpa do maracujá está em R$ 41,50. “Como trata-se de um cultivo que não sofre oscilação ao longo do ano é possível fazer uma boa renda. Uma ex-aluna, por exemplo, conseguiu comprar uma pequena propriedade graças a sua produção”, completa.
Dois anos atrás, quando Silvia Andrade fez o curso do Senar-SP, a questão do dinheiro não estava em seus planos. Tudo começou com alguns pés para consumo próprio e deixar natureza fazer o resto, como se refere. Porém, a primeira colheita surpreendeu. Alguns frutos chegavam a pesar 600 gramas. Acabou então vendendo tanto a fruta quanto a polpa para comércios em Bernardino de Campos.
Isso a motivou a procurar a entidade e entender como melhorar o plantio. Este ano tornou a fazer o curso. “Precisava me aprimorar. O primeiro curso foi muito bom, não só pelo desenvolvimento da produção, mas pela maneira como a instrutora Renata transmitiu as informações e mostrou potencialidades e oportunidades no maracujá”, explica.
“Infelizmente, neste ano, a geada prejudicou bastante o que eu tinha, tanto dele quanto de pitaias. Vou começar de novo, replantar os maracujás e aprimorar o manejo.”
Quem também fez o curso e repetiu a experiência “para firmar mais ainda” foi o aposentado Antônio Carlos Gerioni. Ele explica: “A gente é do sítio, sempre fomos do sítio, nossa agricultura era café, algodão, milho, feijão. Depois é que passei a gostar do maracujá. Fiz o curso e tornei fazer agora, para firmar mais ainda, para aprender mais coisas.”
Assim como Silvia, ele diz que a venda é consequência do plantio e da colheita. Por ora, apenas para comércio e para pessoas que queiram seus maracujás. Recentemente passou por um cateterismo e assim que estiver o aval do médico voltará aos afazeres da terra. Já tem uma meta: comprar 40 mudas de maracujá.
Para ele a lida do campo é um prazer, ocupa a mente, o tempo e está sempre aprendendo algo. Assim como foi com o curso de maracujá. “Gostei muito. A Renata é uma profissional excelente, transmite muito conhecimento prático e aprendemos demais com ela.”