Crédito rural segue em ritmo baixo no início da safra 2026/27

Desembolsos caíram 37,8% no país e 46,7% em SP nos dois primeiros meses do Plano Safra, ante o mesmo período da safra anterior

Nos dois primeiros meses de vigência do Plano Safra 2026/2027, o crédito rural acumulou R$ 44,3 bilhões em desembolsos, segundo relatório elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, com base em dados do Banco Central do Brasil. O montante corresponde a 10,6% do total de recursos anunciados, desconsideradas as CPRs. Na comparação com o mesmo período da safra 2025/2026, quando os desembolsos somaram R$ 71,3 bilhões, houve retração de 37,8%. O número de contratos acompanhou essa trajetória, totalizando 300.312 operações, redução de 34,4%.

Por enquadramento, os valores destinados ao Pronaf, ao Pronamp e aos demais produtores da agricultura empresarial foram menores que no ciclo anterior. A maior retração ocorreu entre os demais produtores, com queda de 46,5%.

A redução também atingiu todas as finalidades de financiamento. O custeio, principal destino dos recursos, registrou contração de 33,1%; já os financiamentos para investimento recuaram 53,8%, a maior retração entre as modalidades. Entre os programas voltados ao investimento, todas as linhas apresentaram queda.

Em São Paulo, os desembolsos de crédito rural totalizaram R$ 3,3 bilhões em julho e agosto, o equivalente a 7,5% do montante contratado no país, e registraram retração interanual de 46,7%. O número de contratos apresentou redução semelhante, de 46,3%, totalizando 5.002 operações.

Todos os enquadramentos de produtores apresentaram queda. Entre os demais produtores da agricultura empresarial, a retração foi de 48,1%, seguida pelo Pronamp, de 45,5%, e pelo Pronaf, de 28,6%.

Na distribuição por finalidade, o custeio, que concentra a maior parcela dos recursos, recuou 31,8%. A comercialização apresentou a contração mais intensa, de 79,6%, enquanto os valores destinados à industrialização e ao investimento diminuíram 60,8% e 64,9%, respectivamente.

A menor contratação de crédito rural ocorre em meio ao avanço das operações classificadas como problemáticas. Em julho de 2026, o estoque dessas operações em São Paulo alcançou R$ 13,8 bilhões, ante R$ 8,4 bilhões no mesmo mês de 2025, o que representa alta nominal de 64%.

Em conjunto, os indicadores apontam para a continuidade, no início da safra 2026/2027, das condições verificadas no ciclo anterior, marcadas pelo baixo ritmo de contratação de crédito, pela forte retração dos financiamentos para investimento e pelo maior comprometimento da capacidade de pagamento dos produtores. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar e fortalecer as políticas públicas de crédito rural, com foco na recuperação da capacidade de pagamento, na regularização das operações de financiamento e na preservação do acesso ao crédito oficial.

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