Crédito rural recua no país e em São Paulo durante o Plano Safra 2025/2026

Relatório da Faesp descreve a redução dos desembolsos de crédito rural no Brasil e em São Paulo ao longo dos 10 meses do Plano Safra 2025/2026

Os desembolsos de crédito rural do Plano Safra 2025/2026 somaram R$ 227,9 bilhões no Brasil entre julho de 2025 e abril de 2026, o equivalente a 68,5% do total programado para a safra, desconsiderando as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). O montante representa retração de 11,2% em relação ao mesmo período da safra anterior, apesar do aumento de 3,5% no número de contratos, que alcançaram 1,9 milhão de operações.

Os dados indicam crescimento da participação de produtores enquadrados no Pronaf e no Pronamp, com alta de 2,4% e 1,9% nos valores desembolsos, respectivamente. Já os demais produtores registraram queda de 17,9%, embora ainda concentrem a maior parcela dos recursos liberados.

Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, as condições financeiras permanecem restritivas, dificultando o acesso ao crédito. Em março de 2026, para pessoas jurídicas, as taxas médias de juros das operações de mercado foram de 11,95% ao ano, ficando abaixo da taxa regulada de 13,6% ao ano pela primeira vez desde 2011. Para pessoas físicas, as operações de mercado registraram taxa média de 12,03% ao ano, enquanto as linhas reguladas ficaram em 9,04% ao ano.

Outro fator de restrição ao crédito é o nível elevado de inadimplência. Em março de 2026, o maior percentual de atraso superior a 90 dias ocorreu no segmento de pessoas físicas em operações contratadas a taxas de mercado, atingindo 12,69%.

Nesse cenário, com o objetivo de apoiar os agricultores familiares e as cooperativas da agricultura familiar, o Governo Federal instituiu o programa “Desenrola Rural 3”, por meio do Decreto nº 12.956/2026. A iniciativa ampliou os prazos e as condições para renegociação de dívidas, com adesão até 20 de dezembro de 2026, visando promover a regularização financeira dos beneficiários, estimular a retomada da adimplência e garantir o acesso ao crédito.

Em São Paulo, os desembolsos de crédito rural totalizaram R$ 27,2 bilhões no período, uma queda de 6,5% em relação à safra anterior. O número de contratos recuou 15,3%, somando 38 mil operações.

No estado, Pronaf e Pronamp apresentaram crescimento de 4,9% e 14% no montante desembolsado, respectivamente, enquanto os demais produtores registraram retração de 10,8%. Quanto à finalidade dos recursos, houve queda no custeio (-14,7%) e nos investimentos (-27,7%), ao passo que a comercialização e a industrialização avançaram 23,3% e 33,1%, nessa ordem.

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