Estado desembolsou R$ 5,8 bilhões entre julho e setembro, enquanto número de contratos diminuiu 37,6% em relação ao mesmo período da safra anterior
Entre julho e setembro de 2026, foram firmados 9.086 contratos de crédito rural em São Paulo, que totalizaram R$ 5,8 bilhões em recursos. O montante correspondeu a 7,9% dos desembolsos nacionais no período e colocou o estado na quinta posição no ranking de recursos contratados.
Na comparação com o mesmo intervalo da safra 2025/2026, os desembolsos de crédito em São Paulo recuaram 41,9%. A retração também foi observada no número de operações, que diminuiu 37,6% em relação ao ciclo anterior, quando haviam sido registrados 14.551 contratos.
Entre os diferentes enquadramentos de produtores, o Pronaf apresentou a menor redução no valor desembolsado, de 20,6%, passando de R$ 386,59 milhões para R$ 306,89 milhões. No Pronamp, a retração foi de 42,1%, de R$ 2,42 bilhões para R$ 1,40 bilhão. Já entre os demais produtores da agricultura empresarial, os desembolsos diminuíram 43,0%, de R$ 7,15 bilhões para R$ 4,08 bilhões.
A redução também foi observada em todas as finalidades do crédito rural. O custeio, principal modalidade em volume de recursos, apresentou queda de 35,6%, com desembolsos passando de R$ 6,07 bilhões para R$ 3,91 bilhões. Os investimentos recuaram 47,4%, de R$ 1,17 bilhão para R$ 617,79 milhões. Na comercialização, os desembolsos diminuíram 53,0%, de R$ 1,55 bilhões para R$ 727,62 milhões. Já na industrialização, a retração foi de 54,4%, de R$ 1,16 bilhão para R$ 530,3 milhões.
Entre os programas de investimento, o Pronaf concentrou o maior volume de recursos desembolsados entre julho e setembro, totalizando R$ 142,85 milhões. Na sequência, destacaram-se o RenovAgro, com R$ 94,85 milhões, e o Moderfrota, com R$ 75,46 milhões. Todos os programas de investimento registraram redução nos desembolsos em comparação com o mesmo período da safra anterior.
Situação da carteira
Em agosto de 2026, a carteira ativa de crédito rural em São Paulo somava R$ 71,5 bilhões. Desse total, R$ 13,9 bilhões correspondiam a operações classificadas como problemáticas, o equivalente a 19,4% da carteira. A participação dessas operações aumentou 6,8 pontos percentuais em relação a agosto de 2025, quando representava 12,6% da carteira.
Entre as operações problemáticas, 64,6% referiam-se a créditos renegociadas, 13,8% a inadimplentes, 12,7% a prorrogadas e 8,9% estavam em atraso. Todas essas categorias apresentaram crescimento na comparação anual, com destaque para a inadimplência, cujo volume mais que dobrou no período.
A retração do crédito rural observada é preocupante, sobretudo diante dos elevados custos de produção, da dificuldade de os preços dos produtos agropecuários acompanharem essa alta e da maior exposição aos riscos climáticos. Esses fatores ampliam os desafios financeiros enfrentados pelos produtores rurais e afetam a decisão de produção e investimento.
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