Encontro nesta quinta-feira (10) debate tecnologia, agregação de valor e novos mercados para transformar desafios da cultura em oportunidades de renda no campo
A região de Avaré dá mais um passo para fortalecer a Cadeia Produtiva Local (CPL) da Lichia, iniciativa que busca integrar produtores, pesquisa, tecnologia, industrialização e mercado para ampliar a competitividade da fruta. Nesta quinta-feira (10), às 19h, a Fazenda Eduvale, em Avaré, recebe o Encontro de Fruticultura – Cultura da Lichia, evento gratuito e aberto a produtores rurais e interessados na atividade. A programação terá palestra do produtor Ricardo Pinto, que abordará rentabilidade, oportunidades e comercialização, além de tecnologias de manejo e alternativas para agregar valor à produção. A construção da CPL pretende justamente aproximar os diferentes elos da cadeia, estimular a troca de experiências e criar condições para que mais produtores encontrem na lichia uma alternativa de diversificação e geração de renda.
Com fazenda em Itaí, Ricardo Pinto destaca que um dos principais desafios é ampliar o aproveitamento da fruta e superar limitações como a curta vida pós-colheita. Segundo ele, maior produtor de lichia do país, na comercialização direta para grandes compradores, cerca de 20% da produção pode ficar fora do mercado de fruta fresca após a classificação, abrindo espaço para a industrialização. Em sua propriedade, uma mini fábrica já transforma esse excedente em produtos de maior durabilidade, enquanto novas alternativas vêm sendo desenvolvidas, como lichia congelada sem casca e caroço, lichia-passa, fruta liofilizada (processo de desidratação a frio de alta tecnologia, mantendo cerca de 97% dos seus nutrientes originais), geleia, kombucha e aguardente de lichia, além de estudos para a produção de vinho. Outra frente envolve pesquisas para aumentar a conservação da fruta refrigerada e viabilizar trajetos mais longos. “São muitas oportunidades. Os desafios, quando conseguimos vencê-los, viram oportunidades. A CPL está sendo uma alternativa maravilhosa para superar esses desafios”, afirma Pinto.
A abertura de mercados é outro eixo estratégico da CPL. Há três anos, a propriedade de Ricardo passou a investir também nas exportações, que atualmente, segundo o produtor, representam 40% de sua colheita e respondem por 46% das exportações brasileiras de lichia — participação elevada em um mercado externo que, ressalta, ainda é pequeno e tem grande potencial de expansão. A organização da cadeia poderá contribuir tanto para ampliar as vendas internacionais quanto para levar a fruta a mercados brasileiros ainda pouco explorados, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ao conectar produtores, conhecimento técnico, pesquisa, processamento e comercialização, a CPL da Lichia de Avaré busca reduzir perdas, agregar valor à produção e criar novos canais de venda, fortalecendo principalmente os produtores rurais que pretendem investir na cultura e transformar a lichia em uma atividade mais rentável e sustentável.













