Por Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar
A citricultura é uma das atividades mais relevantes do agronegócio paulista, posicionando o estado de São Paulo como líder nacional na produção de laranja, responsável por grande parte do suco exportado mundialmente. Nesse cenário, o trabalho desenvolvido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) tem sido fundamental para a valorização do citricultor e o fortalecimento de toda a cadeia produtiva. As ações conjuntas têm como foco a capacitação, a modernização da produção e o suporte técnico contínuo, permitindo que o produtor enfrente desafios como pragas, mudanças climáticas e exigências de mercado com mais preparo e competitividade.
Por meio de um portfólio diversificado de cursos e treinamentos, o Senar-SP oferece, em parceria com os sindicatos rurais, capacitação gratuita voltada para todas as etapas da citricultura, desde o preparo do solo até a colheita e o pós-colheita. Os programas abordam temas como manejo integrado de pragas, adubação equilibrada, poda, irrigação, segurança no trabalho e boas práticas agrícolas. Essa formação técnica permite ao produtor aplicar no campo conhecimentos atualizados e baseados em ciência, o que resulta em maior eficiência e menor desperdício.
Além da capacitação, a assistência técnica e gerencial (ATeG), que apresentou um crescimento exponencial em 2025, com 105 turmas, tem se mostrado uma ferramenta de transformação no cotidiano das propriedades rurais. Técnicos especializados acompanham periodicamente os produtores, levando orientações práticas e personalizadas, com foco na melhoria dos indicadores de produtividade, qualidade e rentabilidade. O trabalho é feito diretamente na propriedade, respeitando as condições locais e a realidade do produtor, o que contribui para soluções eficazes e duradouras.
Os resultados obtidos com a ATeG são expressivos: propriedades que participam do programa apontam aumento na produção, redução de custos e maior controle sanitário. Um dos destaques tem sido o controle mais eficiente do greening (Huanglongbing), doença que ameaça os pomares paulistas. Por meio de ações orientadas, como monitoramento de vetores, substituição de plantas contaminadas e manejo correto, os produtores conseguem reduzir perdas e manter a sustentabilidade da produção. A Faesp solicitou ao governo estadual o reforço na Defesa Agropecuária, com combate aos viveiros clandestinos de mudas que contribuem para a disseminação da doença.
Outro impacto relevante do trabalho da Faesp e do Senar-SP é a melhoria na gestão das propriedades. Muitos citricultores, especialmente os de pequeno porte, enfrentam dificuldades na administração do negócio rural. Com apoio técnico e capacitação gerencial, esses produtores passam a registrar corretamente custos, planejar investimentos e avaliar o desempenho econômico da atividade, o que fortalece sua capacidade de negociação e tomada de decisão.
O compromisso da Faesp/Senar-SP com a inovação também tem aproximado o citricultor das novas tecnologias. Iniciativas que envolvem agricultura de precisão, uso de sensores para monitoramento climático, softwares de gestão e práticas sustentáveis estão sendo difundidas entre os produtores com o apoio dos sindicatos rurais. Esse processo de modernização contribui para o aumento da competitividade da citricultura paulista em mercados cada vez mais exigentes.
Vale destacar ainda o papel social dessas ações. A inclusão de jovens e mulheres nos cursos voltados à citricultura amplia as oportunidades de sucessão familiar e empreendedorismo no campo. Muitos desses novos profissionais têm se destacado pela adoção de práticas modernas e sustentáveis, agregando valor à produção e promovendo o desenvolvimento regional.
Em síntese, o trabalho da Faesp e do Senar-SP junto ao citricultor vai muito além da oferta de conhecimento técnico. Trata-se de um esforço contínuo para fortalecer o produtor, melhorar sua qualidade de vida e garantir a sustentabilidade da citricultura paulista. Os resultados no campo já são visíveis e demonstram o quanto a educação rural e a assistência técnica podem transformar realidades, impulsionando o agro paulista a patamares ainda mais altos de excelência.