Durante debate sobre competitividade no evento do Grupo Mídia, presidente do Sistema Faesp/Senar criticou juros altos e ausência de compromissos federais, alertando para os impactos sobre pequenos e médios produtores
Realizado pelo Grupo Mídia no Renaissance São Paulo Hotel, na capital paulista, o Agro World Fórum 2026 reuniu lideranças empresariais, especialistas e autoridades em torno do tema central “O Agro Brasileiro Diante da Nova Ordem Global”.
Ao longo do dia, o encontro estruturou uma ampla radiografia dos desafios do setor em painéis dedicados a geopolítica e comércio internacional; inteligência artificial e novas tecnologias no campo; governança corporativa e sucessão familiar; impactos climáticos; energia e biocombustíveis; e os novos modelos de negócios que redesenham a escala da produção agropecuária.
Um dos destaques das discussões sobre o ambiente interno de negócios ocorreu no Painel 2 – Competitividade do Agro Brasileiro, que contou com a participação do presidente do Sistema Faesp/Senar-SP, Tirso Meirelles. Durante o debate, que reuniu nomes como Hugo Cagno (UDOP), Álvaro Duarte (FUNDEPAG) e a produtora e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) Carminha Gatto Missio.
Sob moderação do professor Thiago Péra (Esalq/USP), Meirelles fez uma análise contundente sobre as barreiras que travam o desenvolvimento sustentável da produção no país. Em sua fala, o presidente da entidade enfatizou a urgente necessidade de segurança jurídica e previsibilidade econômica para o campo, apontando que “a imprevisibilidade do agronegócio é abalada justamente pela ausência de compromissos do governo federal com o setor”.
Como contraposição ao cenário de incertezas, defendeu uma visão estratégica de longo alcance, sustentando que “nosso país precisa de um Plano Brasil de 10, 20 anos, nos moldes americanos das Farm Bills”.
O dirigente também chamou atenção para os entraves financeiros e de gestão de risco que sufocam a rotina do produtor. “Problemas como juros altos, endividamento e seguro rural comprometem a produtividade e ceifam a inovação, na contramão do gigantismo econômico que o setor representa ao PIB nacional”, pontuou.
Tirso Meirelles concluiu seu posicionamento alertando para o impacto social e econômico dessa conjuntura na base do campo, lembrando que “os maiores atingidos por essa dissonância governamental com o setor agropecuário são os pequenos e médios produtores rurais”.













