Remédios para pets: veja erros que podem colocar a saúde em risco

Dar um medicamento para o pet parece uma tarefa simples, mas alguns cuidados podem fazer toda a diferença durante um tratamento. Desde o momento da compra até a hora de oferecer o comprimido ou aplicar uma vacina, cada etapa pode influenciar a segurança e a eficácia do cuidado.

Além de seguir corretamente a orientação do médico-veterinário, os responsáveis precisam ficar atentos a detalhes que muitas vezes passam despercebidos. O horário, a forma de administração, a conservação e até a procedência do produto estão entre os pontos que merecem atenção.

Para orientar os tutores nessa rotina, a MSD Saúde Animal reuniu algumas recomendações sobre o manejo de medicamentos e reforça a importância de utilizar produtos de procedência confiável.

O tratamento começa na orientação veterinária

Antes de oferecer qualquer medicamento ao animal, o primeiro passo deve ser consultar um médico-veterinário. Mesmo que o pet apresente sintomas parecidos com os de outro animal, isso não significa que ele precise do mesmo tratamento ou da mesma dosagem.

Medicamentos não devem ser utilizados por conta própria ou escolhidos com base em informações encontradas na internet. A dose, o intervalo entre as aplicações e o período de tratamento variam de acordo com o animal e com o problema que está sendo investigado.

Depois da prescrição, cabe ao responsável seguir as orientações exatamente como foram passadas.

Horário também importa

Se o medicamento precisa ser administrado em determinado intervalo, é importante respeitar os horários indicados. Alterar a frequência ou esquecer doses pode comprometer o resultado esperado do tratamento.

Outro detalhe é observar se o produto deve ser oferecido junto com a alimentação ou em jejum. Alguns medicamentos precisam ser administrados de uma maneira específica para favorecer a absorção ou diminuir possíveis desconfortos no estômago.

E quando o pet finge que engoliu?

Quem já tentou dar comprimido para um cachorro ou gato provavelmente conhece essa situação. O animal parece engolir, recebe um carinho e, alguns minutos depois, o medicamento aparece misteriosamente no chão.

Por isso, depois de oferecer comprimidos ou cápsulas, é importante verificar se o pet realmente engoliu o medicamento. Alguns animais conseguem esconder o produto na lateral da boca e simplesmente esperam uma oportunidade para cuspi-lo.

Se houver dificuldade para administrar o medicamento, o ideal é pedir orientação ao veterinário sobre formas seguras de facilitar o processo. Esconder o comprimido em alimentos, por exemplo, só deve ser feito quando essa estratégia não interferir na ação do medicamento.

Vacinas exigem cuidados diferentes

As vacinas também precisam de atenção especial. Diferentemente de alguns medicamentos administrados em casa, os produtos biológicos devem ser aplicados por um médico-veterinário capacitado.

Um dos motivos é a necessidade de manter a chamada cadeia de frio. As vacinas precisam permanecer dentro da faixa de temperatura recomendada pelo fabricante, geralmente entre 2 °C e 8 °C, desde o armazenamento até a aplicação.

Para Marcio Barboza, veterinário e coordenador técnico da MSD Saúde Animal, esse cuidado é fundamental.

Atenção especial deve ser dada às vacinas, pois qualquer oscilação de temperatura fora do padrão recomendado compromete gravemente a eficácia do imunizante, deixando o animal vulnerável a doenças graves“, alerta.

Um erro pode comprometer o tratamento

Guardar um medicamento em um local inadequado ou administrar uma dose diferente da prescrita pode trazer consequências que vão muito além de simplesmente diminuir a eficácia do tratamento.

O uso incorreto de determinadas substâncias pode provocar intoxicação, com possíveis danos a órgãos como fígado e rins. Já produtos de uso tópico, quando inadequados ou aplicados de maneira incorreta, podem causar irritações, dermatites, queimaduras químicas e queda localizada de pelos.

Outro problema é quando o tratamento deixa de funcionar como deveria. Se um medicamento perde sua eficácia por conservação inadequada ou administração incorreta, a doença que deveria estar sendo controlada pode continuar avançando sem que o responsável perceba.

Isso também merece atenção no caso de antiparasitários e vermífugos. Quando a proteção não é adequada, o animal pode continuar exposto a parasitas e doenças transmitidas por eles, como a erliquiose, conhecida como doença do carrapato, e a dirofilariose, também chamada de verme do coração.

Muitos quadros clínicos graves chegam aos consultórios não por falta de afeto do responsável, mas por pequenos deslizes na hora de administrar ou guardar o produto. Um local úmido ou uma dose mal administrada anulam o potencial de cura e abrem margem para complicações severas na saúde do animal“, complementa Marcio Barboza.

O cuidado começa na hora da compra

Não adianta seguir corretamente os horários e armazenar o medicamento da maneira indicada se o produto adquirido não tiver uma origem confiável.

Medicamentos veterinários falsificados ou comercializados de forma irregular podem não apresentar a composição esperada, além de oferecer riscos relacionados à presença de substâncias adulteradas ou impurezas.

Por isso, a recomendação é adquirir os produtos em canais confiáveis, como clínicas veterinárias, pet shops de confiança e distribuidores autorizados.

Na hora da compra, alguns detalhes também podem ajudar a identificar possíveis problemas. O responsável deve verificar se a embalagem está intacta, observar os lacres e selos de segurança, conferir a presença da bula oficial em português e verificar se as informações do lote estão legíveis.

Caso o produto apresente alteração de cor, textura ou cheiro, o ideal é não utilizá-lo até que um veterinário possa avaliar a situação.

Pequenos cuidados fazem diferença

A rotina de medicação pode parecer apenas mais uma tarefa entre tantas outras relacionadas aos cuidados com os pets. No entanto, seguir corretamente a prescrição, respeitar os horários, conservar os produtos da maneira indicada e verificar a procedência são atitudes simples que ajudam a evitar problemas.

No fim, o cuidado não está apenas no medicamento escolhido, mas em todo o caminho percorrido até ele chegar ao animal. E, quando existe qualquer dúvida sobre a forma de administrar ou armazenar um produto, a orientação profissional continua sendo o caminho mais seguro.

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