Durante muito tempo, a atenção à saúde de cães e gatos esteve concentrada em fatores como alimentação, vacinação e atividade física.
Nos últimos anos, porém, pesquisas na medicina veterinária têm reforçado a importância de outro elemento para o bem-estar dos animais: a microbiota intestinal.
Formada por uma ampla variedade de microrganismos, a microbiota desempenha funções que vão além do processo digestivo.
Estudos indicam que o equilíbrio desse ecossistema pode influenciar o metabolismo, a imunidade e até aspectos relacionados ao comportamento e à saúde da pele dos pets.
De acordo com o veterinário Kauê Ribeiro, o intestino exerce papel estratégico na manutenção da saúde geral dos animais.
“Compreender o papel da microbiota intestinal é fundamental para a saúde dos pets. O intestino pode ser considerado uma das principais linhas de defesa do organismo, sendo o maior órgão imunológico do corpo. Quando está em equilíbrio, favorece o aproveitamento dos nutrientes da alimentação, a produção de metabólitos importantes e uma resposta mais eficiente do organismo aos desafios cotidianos. Por isso, a saúde intestinal exerce influência sobre diversas funções do corpo e impacta diretamente a qualidade de vida dos animais”, afirma.
Segundo o especialista, fatores comuns da rotina podem comprometer esse equilíbrio. Alterações repentinas na dieta, situações de estresse, uso de medicamentos, viagens, envelhecimento e períodos de fragilidade física estão entre as condições que podem favorecer a chamada disbiose, caracterizada pelo desequilíbrio da microbiota intestinal.
Nesse contexto, cresce o interesse por estratégias nutricionais voltadas à preservação da saúde intestinal. Uma delas é o uso de simbióticos, compostos que associam probióticos e prebióticos.
Enquanto os probióticos são microrganismos benéficos, os prebióticos servem de alimento para essas bactérias, contribuindo para sua multiplicação.
“Os probióticos são microrganismos benéficos ao organismo dos pets, enquanto os prebióticos atuam como substratos seletivamente utilizados por essas bactérias, favorecendo seu crescimento. Quando combinamos os dois, criamos um ambiente mais favorável para a manutenção das funções metabólicas e para impedir a colonização por microrganismos patogênicos”, explica Kauê.
O veterinário destaca ainda que o suporte à microbiota pode ser especialmente relevante em momentos específicos da vida dos animais, como na fase de crescimento, na terceira idade, durante mudanças de rotina ou em processos de recuperação de enfermidades.
“O cuidado com o intestino deve ser encarado como parte da abordagem preventiva em praticamente todos os cenários clínicos”, ressalta.
Para especialistas da área, a tendência é que o microbioma ocupe espaço cada vez maior nas estratégias de prevenção e promoção da saúde animal.
“Hoje sabemos que dar suporte ao equilíbrio da microbiota é uma forma mais completa de cuidar da saúde dos pets, porque quando o intestino está bem, todo o organismo tende a responder melhor. Esse cuidado é um investimento direto em qualidade de vida”, conclui o veterinário.













