A avaliação é do economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados, Felipe Queiroz
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (27/2) pelo IBGE, registrou alta de 0,84% em fevereiro. Apesar da aceleração em relação ao mês anterior, o resultado já era esperado, considerando o padrão sazonal do período.
“Mesmo havendo uma aceleração frente ao mês imediatamente anterior, gera um resultado esperado. Habitualmente, o mês de fevereiro apresenta uma alta maior da inflação frente a janeiro porque tem um conjunto de reajustes que são efetuados ao longo desse primeiro bimestre”, afirma Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS – Associação Paulista de Supermercados.
Outro ponto de destaque é a trajetória de desaceleração da inflação no acumulado dos últimos 12 meses. Em fevereiro de 2025, o índice havia registrado alta de 1,23%, acima do resultado atual.
“Quando olhamos detalhadamente os itens que compõem o IPCA, é importante observar que itens relacionados à alimentação e bebidas têm apresentado um comportamento de acomodação nesse período. Em fevereiro, a inflação de alimentação e bebidas foi de 0,2% e desacelerou frente ao mês anterior”, destaca Queiroz.
A análise da APAS aponta que o comportamento mais estável dos preços de alimentos deve se manter ao longo de 2026, após períodos de maior pressão inflacionária.
“Nós acreditamos que nesse ano teremos uma inflação moderada de alimentos, sem sobressaltos tão expressivos como aconteceu durante os anos de 2023 e 2024”, avalia o economista.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão a queda nos preços de itens básicos e o comportamento do câmbio, que tem ajudado a reduzir custos ao consumidor final.
Arroz e feijão já vinham em uma tendência de queda, o preço do azeite está caindo e café está em uma tendência de acomodação. Outro fator que tem contribuído muito é a taxa de câmbio em uma tendência de queda.
Muitos itens produzidos e, também, exportados, acabam tendo um custo menor ao consumidor final em âmbito doméstico. Não sofremos aí uma inflação movida via câmbio. Com esse pano de fundo, a APAS avalia que o cenário inflacionário abre espaço para mudanças na política monetária ao longo do ano.
“Acreditamos que nesse ano a inflação geral vai ficar dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional e perseguida pelo Banco Central, não teremos tantos sobressaltos. Isso abre espaço para redução da taxa Selic em um patamar além do projetado pelo mercado. Muitas casas de análise já estão revendo suas estimativas e projeções para a Selic ao longo de 2026”, afirma.
Os dados mais recentes do boletim Focus já indicam revisão nas expectativas para a taxa básica de juros.
“A APAS acredita que há espaço para uma queda consistente na taxa Selic para estimular a economia e não prejudicar os investimentos. Os fatores relacionados à inflação, hoje, já não preocupam tanto quanto no passado. Não há uma justificativa para mantermos uma taxa de juros tão elevada como a atual”, conclui Queiroz.













