25 de Maio e a liderança das mulheres na transição do agro

JULIANA FARAH

Olá, queridas leitoras,

O Dia da Trabalhadora e do Trabalhador Rural, celebrado no último dia 25, consolida-se na agenda nacional como um momento de profundo reconhecimento à força humana que sustenta a segurança alimentar e impulsiona o desenvolvimento econômico do país. A data vai muito além da homenagem simbólica, representando a legitimação de milhões de mulheres e homens que garantem a produção de alimentos e movimentam de forma pujante a agricultura familiar em todas as regiões do Brasil.

O papel desse contingente é traduzido em números expressivos pelo Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2026: cerca de 10,1 milhões de trabalhadoras e trabalhadores rurais protagonizam a produção de alimentos básicos que compõem o prato dos brasileiros, como o arroz, o feijão, o leite, além de frutas, legumes e verduras. Esse cinturão produtivo abastece o mercado interno e conecta o suor do campo diretamente à saúde das famílias nas cidades.

A celebração deste ano ganha um contorno ainda mais estratégico ao convergir com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela Organização das Nações Unidas. Essa chancela global reposiciona o debate sobre o trabalho feminino no campo, que historicamente enfrentou o desafio da invisibilidade. Longe de ser apenas um braço de apoio informal na rotina das fazendas, a mulher rural assume, de forma crescente, o papel de gestora, empreendedora e tomadora de decisão.

Investir na trabalhadora rural gera um efeito multiplicador que beneficia comunidades inteiras. Quando as mulheres lideram, há uma inclinação natural para a diversificação de culturas, preservação ambiental e adoção de tecnologias limpas, criando um modelo de desenvolvimento econômico integrado. Cooperativas rurais e sindicatos têm testemunhado essa transformação, onde o crachá de conselheiras e diretoras passa a ser ocupado por quem conhece a realidade da terra.

Portanto, ao celebrar o 25 de maio sob a ótica da igualdade e da modernização é compreender que a sustentabilidade do agronegócio brasileiro depende intrinsecamente da valorização de suas mentes e de suas mãos, honrando a tradição enquanto se planta o futuro do abastecimento nacional.

Com carinho,

Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

 

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