A respiração ofegante pode parecer inofensiva, sobretudo em cães após exercícios ou em dias de altas temperaturas. Especialistas alertam, no entanto, que o sintoma fora dessas situações deve ser observado com atenção, pois pode indicar alterações no organismo.
No caso dos gatos, o sinal é ainda mais preocupante: diferente dos cães, eles raramente apresentam esse tipo de respiração, o que pode estar relacionado a quadros de dificuldade respiratória e demanda avaliação veterinária.
Ao iG, o veterinário Dr. Rodrigo Krhom, é importante observar em quais situações o sintoma aparece e se ele melhora com o descanso.
“Nem sempre é normal. Em cães, a respiração ofegante pode acontecer após exercício, calor ou momentos de excitação, e tende a melhorar rapidamente com o descanso. Já em gatos, respirar de forma ofegante ou com a boca aberta quase nunca é normal.”
A respiração ofegante pode parecer inofensiva, sobretudo em cães após exercícios ou em dias de altas temperaturas. O veterinário Dr. Rodrigo Krhom alerta, no entanto, que o sintoma fora dessas situações deve ser observado com atenção, pois pode indicar alterações no organismo. pic.twitter.com/MFZsfsSBLZ
— iG (@iG) February 27, 2026
Quando o quadro persiste ou surge sem explicação, a recomendação é procurar avaliação veterinária.
“Na rotina clínica, esse é um dos sinais que mais me preocupa, principalmente quando surge sem motivo aparente ou persiste por mais tempo. Nesses casos, é um sinal de alerta e precisa ser investigado, porque pode indicar um problema respiratório, cardíaco ou até dor.”
Sinais que exigem atenção
A respiração acelerada pode ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem com o animal. Entre os principais alertas estão o aumento da frequência respiratória mesmo em repouso, esforço para puxar o ar e alterações na coloração da língua e da gengiva.
“Respiração muito rápida mesmo em repouso, esforço visível para puxar o ar, boca aberta em gatos e alteração na cor da língua ou da gengiva, que podem ficar arroxeadas ou muito pálidas, são alertas importantes.”
Além disso, mudanças de comportamento como apatia, fraqueza ou desmaios também podem indicar que o animal precisa de atendimento.
O veterinário reforça que não é recomendado esperar para ver se o quadro melhora sozinho, já que problemas respiratórios podem evoluir rapidamente.
“A dificuldade respiratória nunca é algo para observar à distância ou esperar melhorar sozinho. Quanto antes o animal é avaliado, maiores são as chances de estabilizar o quadro com segurança e se evitar uma crise mais grave, podendo inclusive evoluir ao óbito.”
Possíveis causas
Diversas doenças podem causar respiração ofegante em cães e gatos. Entre as mais comuns estão problemas cardíacos, pulmonares e infecções respiratórias, além de condições como anemia e febre.
“Na clínica, os motivos mais comuns incluem doenças cardíacas, problemas pulmonares, asma felina, infecções respiratórias, pneumonia, anemia, febre, alterações metabólicas e até dor.”

Em cães, também são frequentes problemas relacionados à anatomia, como o colapso de traqueia e a síndrome dos braquicefálicos, comum em raças de focinho curto. Nesses casos, a dificuldade para respirar pode aparecer com mais facilidade, principalmente em situações de calor ou estresse.
Outro ponto que muitas vezes passa despercebido pelos tutores é a relação entre dor e respiração acelerada. Animais com dor podem apresentar esse sinal mesmo sem demonstrar sofrimento de forma evidente.
“Animais com dor abdominal, ortopédica ou interna/visceral, podem começar a respirar mais rápido como forma de lidar com o desconforto, mesmo sem vocalizar ou mostrar outros sinais mais óbvios.”
Por isso, observar mudanças sutis no comportamento pode ajudar a identificar o problema precocemente, como inquietação ou dificuldade para se deitar.
Calor pode agravar o quadro
As altas temperaturas são um fator de risco importante, já que cães e gatos não conseguem dissipar o calor da mesma forma que os humanos. Em dias quentes, a respiração ofegante pode ser um dos primeiros sinais de superaquecimento.
“O calor pode ser muito perigoso. Diferente da gente, os animais não dissipam calor da mesma forma, e alguns sofrem muito, principalmente nos dias mais quentes ou durante passeios e atividades físicas.”
O golpe de calor pode evoluir rapidamente e provocar sintomas graves, como língua muito vermelha ou arroxeada, salivação intensa, fraqueza e até colapso.
“Não se subestime a respiração acelerada num dia quente, mesmo que o animal pareça estar brincando ou animado, pode ser o primeiro sinal de alerta.”
Para reduzir os riscos, é importante manter água fresca sempre disponível, oferecer sombra e evitar passeios nos horários mais quentes do dia. Também não é recomendado deixar o animal dentro de carros fechados, nem por poucos minutos, pois a temperatura pode subir rapidamente.
O que observar no pet
Além da respiração, alguns sinais físicos podem ajudar a identificar se o animal está com dificuldade para respirar. A coloração da língua e da gengiva, por exemplo, deve ser sempre rosada. Tons arroxeados, azulados ou muito pálidos indicam falta de oxigenação e exigem atenção imediata.
O comportamento também pode dar pistas importantes. Animais com falta de ar costumam ficar inquietos, evitar deitar e adotar posturas que facilitem a respiração, como manter o pescoço estendido ou os cotovelos afastados do corpo.

Em gatos, respirar com a boca aberta é sempre um sinal grave e deve ser tratado como emergência.
O que fazer ao notar respiração acelerada
Ao perceber que o pet está respirando mais rápido que o normal, a primeira medida é levá-lo para um local fresco e ventilado, evitando manipulação excessiva.
“O primeiro passo é levar o animal para um local fresco, calmo e ventilado. Evite estressá-lo ou manipular excessivamente, pois isso pode piorar a respiração.”
O uso de medicamentos sem orientação veterinária não é indicado e pode agravar o quadro. Se a respiração não voltar ao normal rapidamente ou houver esforço para respirar, o atendimento deve ser buscado o quanto antes.
“Se a respiração não normalizar rapidamente, ou se houver esforço visível para puxar o ar, o atendimento veterinário ambulatorial deve ser buscado imediatamente.”
Idosos e braquicefálicos
Animais idosos e raças de focinho curto estão entre os mais sensíveis a problemas respiratórios. Nos mais velhos, a respiração alterada pode ser um dos primeiros sinais de doenças cardíacas ou pulmonares. Já nos braquicefálicos, a própria anatomia dificulta a passagem do ar e a troca de calor.
“Já os animais de focinho curto têm uma anatomia que dificulta a passagem do ar e a troca de calor. Na prática clínica, eles são os que mais sofrem em dias quentes ou em situações de estresse.”
Por isso, qualquer mudança no padrão respiratório deve ser levada a sério. “Sempre que a respiração estiver diferente do padrão habitual daquele animal.”













