Em seu terceiro ano, programa conta com alunos jovens e ajuda a resgatar a valorização desse instrumento
A 140 km da maior cidade brasileira está Tatuí, carinhosamente chamada de “Cidade Ternura”, por sua hospitalidade, e por Lei de “Capital da Música”. Lá está localizado o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo — a maior escola de música e de teatro da América Latina.
É nesse município que o Sindicato Rural vem atuando com o Programa de Acordeom do Senar-SP desde seu início, em 2023, dedicando-se ao processo de recrutamento e seleção do público-alvo, infraestrutura do local e demais ações relativas ao programa.
No mesmo modelo do Programa Viola Caipira, ele é desenvolvido em cinco meses, com duas aulas semanais de três horas, que ao final totalizam 120.
O instrutor Eliéser Ivan de Queiroz é formado pelo Conservatório e dá aulas de acordeom desde 2015. Ele observa que mesmo com a particularidade de ser um instrumento mais caro do que a viola caipira (chegando a mais de 10 vezes do valor) os fatores tradição e família são estímulos a ingressar no programa.
“O acordeom é conhecido de Norte a Sul do país, mas não é muito popular. Isso vem mudando mais recentemente com o sertanejo universitário”, explica. “Com ele você pode tocar forró, baião, xote, arrasta-pé, vaneira, milonga, chamamé e valsa. É muito rica e variada sua instrumentação e qualidade musical.”
Eliéser explica que assim como se nota em outros cursos de ação social, este também provoca mudanças comportamentais e de bem-estar nos participantes. “Há um aluno da primeira turma, em 2023, que chegou ao programa inscrito pela esposa e ganhou o acordeom dos filhos. Estar no curso fez bem a sua saúde, mas sobretudo ajudou-o a realizar um sonho de vida”, conta o instrutor.
Isabela Nishimura completou 13 anos em abril e foi a única mulher da turma que encerrou o programa no dia 1º. Aluna do Conservatório há quatro anos em violino erudito e há dois em acordeom, procurou o curso com o intuito de aprender coisas novas e de forma mais rápida.
“Confesso que no início achei um pouco chato, pois já conhecia algumas coisas, mas com o passar das aulas foi ficando muito legal. Para mim, o programa é um passo gigantesco para quem conhece o instrumento e procura aprimoramento; e é também para quem ainda não o conhece e vai acabar se apaixonando”, afirma.
Filho de um acordeonista, João Pedro Pontes Machado já gostava, tocava e até cantava acompanhado do instrumento. Através da tia foi matriculado no Programa de Acordeom do Senar-SP e ingressou “bastante ansioso, com muita vontade de aprender”, como ele conta.
“O instrutor ajudou a conhecer melhor os ritmos, as notas e alguns andamentos. O acordeom, além de estar na minha vida desde cedo, é também uma terapia, com ele meu humor muda, me anima”, explica.
João Pedro viajava 164 km a cada aula (somada a ida e a volta) para fazer o programa. A pedido do padrasto e da mãe, que o levavam às aulas em Tatuí, canta “Fundo da Grota”, “Tordilho Negro” e “O Que Tem a Rosa”, todas canções de artistas gaúchos, onde o acordeom é valorizado e faz parte da tradição musical sulista.
HISTÓRIA
Segundo historiadores, o precursor do acordeom é um instrumento chinês milenar chamado “cheng” que é uma espécie de órgão de sopro portátil com palhetas internas similares àquelas do acordeom e da gaita. Seu aparecimento na China se deu por volta de 2.700 anos a.c.
Trazido ao Brasil por imigrantes italianos e alemães, foi com o avanço da construção das estradas que foi se espalhando pelo país. No contexto colonial do século 19, o acordeom foi amplamente difundido no Brasil, por intermédio de viajantes, imigrantes e mascates, despertando o interesse de comunidades, especialmente as rurais distantes dos centros econômicos.
Com o tempo seu nome foi sendo regionalizado, a exemplo do Rio Grande do Sul que é conhecido como “gaita”, na região Nordeste como “sanfona”, e “acordeom” em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
A difusão do acordeom no Brasil está associada aos bailes rurais e de periferias urbanas o que o tornou, de forma emblemática, um símbolo cultural em manifestações culturais como o forró e o baile gaúcho e paulista.
Galeria
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