Programa Bordando e Tecendo no Meio Rural gera renda e melhora aspectos sociais das participantes

Sindicato Rural de Itapetininga teve duas turmas e, segundo instrutora, os resultados vão além do ganho financeiro

O bordado é a principal atividade artesanal em grande parte dos municípios brasileiros, segundo o IBGE, e representa uma importante fonte de renda para muitas famílias. Essa prática, transmitida de geração em geração, constitui também um valioso registro cultural.

O Programa Bordando e Tecendo a Arte no Meio Rural, do Senar-SP, transformou-se em uma alternativa para as famílias rurais. O interesse por esse trabalho vem aumentando entre grupos que sobrevivem da agricultura familiar, sendo ele uma fonte de sustento nos períodos de entressafra.

O curso foi desenvolvido em três módulos, num total de 224 horas (divididas em três aulas semanais de 4 horas). Os módulos 1 e 2 propõem a confecção de tecido de amostra, nas quais são executadas as técnicas para acabamento das bordas dos tecidos, confecção de bainhas abertas e 21 pontos, além da transferência de riscos para o tecido. Já o módulo 3 prevê que os participantes apliquem o conhecimento adquirido para bordar diversas peças de usos variados, finalizando com uma peça de livre criação.

Neste primeiro ano no município de Itapetininga, o programa foi realizado pelo sindicato rural em parceria com Senar-SP e o Sebrae-SP, com o objetivo tanto de desenvolvimento pessoal, quanto para a geração de renda. Além do desenvolvimento de habilidades técnicas e estímulo da criatividade.

Segundo a artista plástica e instrutora do Senar, Jamile Uebe (que ajudou na elaboração da cartilha do programa junto da técnica Isabella Penella e Eva Chaves), as duas turmas atendidas neste ano mostraram uma disposição ao aprendizado de técnicas e ao empreendedorismo muito genuínas, que resultaram em rede de apoio e na encomenda de peças.

Jamile conta que não foge às características de milhões de brasileiras, sendo ela também filha e neta de bordadeiras. “Voltei às minhas raízes. E com esse trabalho junto aos sindicatos rurais levo tradição e beleza como ferramentas de conhecimento e empreendedorismo a diversas pessoas.”

Ela diz que uma das coisas que mais tem lhe dado prazer é o quanto tem ajudado na transformação de vida das participantes. “Não é raro notar mudanças no comportamento e nas interações das participantes. Isso mostra que o curso vai além do aspecto financeiro. O Bordando e Tecendo tem resultados, inclusive, na saúde mental delas”, explica a instrutora.

TRANSFORMAÇÍO

Sabrina Daiane de Oliveira havia acabado de realizar o curso do Quadradinhos do Amor, do Senac, para confeccionar mantas para doação quando descobriu o programa do Senar-SP.

“Conheço crochê desde pequena, por conta de minha avó. Foi com ela que conheci todas as técnicas. Mas queria aprender outras coisas, como o bordado livre, por exemplo”, afirma.

A participante da turma do segundo semestre ressalta a interação com as outras alunas e, especialmente, a didática de Jamile.

“Pretendo continuar bordando, me aprimorando e abrir um negócio com produtos diferenciados. Através das aulas com a Jamile se descortinou o conhecimento para outros cursos do Senar-SP que podemos fazer.”

Uma das participantes da turma de Sabrina é Vera Lucia, que foi obrigada a se aposentar aos 79 anos, por tempo de serviço. Sozinha em casa, mas lúcida e sempre dinâmica, a ex-professora estava se sentindo mal por ter sua rotina mudada bruscamente.

Acabou chegando ao curso por indicação de uma amiga e lá encontrou um novo estilo de vida. Segundo Jamile Uebe, os pontos feitos pela aluna revelaram um bordado autoral.

“Alguns pontos ela não conseguia executar, mas nunca desistiu. Sempre tentava de novo até melhorar. Ela foi fazendo do jeito dela e acabou criando peças únicas, ficando incrível,” explica.

“Os programas do Senar-SP são mais do que ensinar técnicas. Eles acabam promovendo muito em valorização do ser humano, porque pode ser que para a sociedade a pessoa não seja mais útil, mas tem valor, sim, e pode conquistar coisas novas, independentemente da idade.”

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