A área reconhecida pela IG engloba 17 municípios e ajudará a fortalecer a produção, impulsionando geração de renda e a agricultura familiar
O palmito pupunha produzido no Vale do Ribeira recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG) de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação valoriza a produção regional e, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, fortalece a identidade dos produtos, amplia mercados e impulsiona o desenvolvimento sustentável.
A área reconhecida pela IG engloba 17 municípios: Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro, Ribeira, Sete Barras e Tapiraí.
O selo poderá ser utilizado no palmito em haste, no minimamente processado e no processado em conserva, incluindo toletes, rodelas, picados, bandas, espaguete, arroz, lasanha e outras apresentações previstas na legislação e no regulamento da IG.
De acordo com o superintendente do Mapa em São Paulo, Estanislau Steck, os produtores ligados à IG são agricultores familiares. Cerca de 1.800 produtores que cultivam aproximadamente 10 mil hectares de pupunha, segundo a Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale).
O Mapa acompanha a iniciativa desde 2019. Nesse ano, a Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (SFA-SP) realizou a primeira reunião com os produtores em Registro para apresentar os conceitos de IG.
Joaquim Branco, presidente do Sindicato Rural de Miracatu, comemora o reconhecimento, mas faz um alerta: “Esta é só a primeira etapa. Agora, precisamos ajudar na organização e na gestão do produtor rural.”
“Não há dúvidas de que o selo de Indicação Geográfica vai agregar valor ao palmito pupunha. Isso, porém, não é imediato. É a médio prazo. Precisamos estruturar a parte operacional e realizar um marketing bem assertivo, para que a sociedade tome conhecimento disso e para que possamos fortalecer o trabalho dos produtores”, explica.
Para Jairo Adilson de Oliveira, presidente do Sindicato Rural do Vale do Ribeira, o selo tem enorme importância para a região e aos produtores. “Somos a localidade que mais produz esse tipo de palmito, altamente sustentável, pois seu manejo minimiza impactos ao meio ambiente e garante a preservação de recursos naturais.”
“A Indicação Geográfica vai agregar valor ao produto porque o consumidor terá a garantia de um cultivo desenvolvida dentro das melhores práticas”, explica. “No entanto, para garantir a rastreabilidade será necessário ao produtor adequar-se às normas que serão exigidas.”
O presidente do sindicato ressalta que a IG não ficará restrita ao palmito pupunha. “Importante salientar que esse reconhecimento também está sendo pleiteado para a banana, produto característico da região há mais de um século, e conta com apoio do Sebrae-SP, do Senar-SP, do Instituto Federal de São Paulo – Campus Registro e da Unesp Vale do Ribeira.”
Centro de Excelência
No município de Miracatu, um dos 17 contemplados com a IG, o Sistema Faesp/Senar está construindo um Centro de Excelência em cacau e pupunha.
A iniciativa visa fomentar pesquisa e tecnologia dessas culturas, promovendo o desenvolvimento da região e fortalecendo a produção local.
“Os nossos Centros de Excelência são uma prioridade do Sistema Faesp/Senar, com o objetivo de levar conhecimento, aliado às novas tecnologias do campo, e estimular a produção de acordo com a vocação regional”, afirmou Tirso Meirelles, presidente da entidade.
Para o presidente do Sindicato Rural de Miracatu, Joaquim Branco, a construção do Centro de Excelência chega no tempo certo. “Não há nada semelhante para essa cultura em nosso estado. O ineditismo e o protagonismo desse Centro serão importantíssimos ao aliar pesquisa, ciência e tecnologia. Ferramentas que irão melhorar ainda mais o palmito pupunha e aumentar a rentabilidade do produtor.”













