Entidades já vinham sinalizando que a importação do leite em pó estava gerando forte impacto nos preços pagos ao produtor
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aceitou recurso da CNA e decidiu retomar a investigação de dumping contra o leite em pó importado do Mercosul.
A decisão foi anunciada esta semana em reunião com representantes do setor leiteiro, parlamentares e o vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin.
No início de novembro, durante o 7º FOPA, em Itu, o presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, cobrou do vice-presidente uma solução para a importação desenfreada de leite em pó, que acaba sendo hidratado por empresas no Brasil e competem de forma desleal com a cadeia leiteira.
Meirelles já havia estado em Brasília, em outubro, onde juntamente com a diretoria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), argumentaram com a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a necessidade de combater o dumping.
Com a decisão desta semana, o governo passa a revisar seu entendimento sobre o tema. Agora considera que o leite in natura é similar ao leite em pó importado, o que abre espaço para a investigação.
Antes, o governo entendia que o leite importado era comparável apenas ao leite em pó processado pela indústria, e não ao leite in natura produzido pelos pecuaristas.
“Em Itu, o vice-presidente Geraldo Alckmin garantiu que estava ciente da situação e trabalharia para garantir os direitos dos produtores rurais brasileiros. Isso mostra uma sensibilidade dele a respeito das demandas do setor”, explica Tirso Meirelles.
“Temos de continuar unidos e cobrando medidas que protejam o produtor brasileiro. Da maneira como está é absolutamente desleal e levará a perdas financeiras e sociais de inúmeras famílias.”
CNA e o PROCESSO
Jônadan Ma, vice-presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, considerou a decisão do governo uma defesa concreta ao produtor e à indústria nacional, especialmente aos pequenos pecuaristas afetados pelas importações.
O processo deve ser concluído em junho de 2026, mas Ma pediu a aplicação de direitos antidumping provisórios para reduzir os prejuízos enquanto a investigação ocorre.
A medida é vista como forma de proteger a produção nacional contra práticas desleais e evitar dependência do mercado externo no médio e longo prazo.
Em nota, a CNA declarou que espera uma determinação preliminar positiva sobre dumping, dano e nexo causal, para que os direitos provisórios sejam aplicados o quanto antes.













