Especialistas destacam como práticas estruturadas de gestão elevam a credibilidade do produtor, reduzem riscos e ampliam o acesso ao crédito no campo
A governança no agronegócio deixou de ser um diferencial para se tornar um fator estratégico de sustentabilidade e crescimento. Em um setor marcado por ciclos produtivos, volatilidade de preços e forte dependência de fatores externos, a adoção de práticas de governança — como planejamento estruturado, definição clara de papéis, transparência na gestão e controles financeiros — permite ao produtor rural tomar decisões mais assertivas e reduzir riscos. Além disso, fortalece a credibilidade do negócio perante instituições financeiras, investidores e parceiros comerciais, ampliando o acesso a crédito e oportunidades de expansão.
Para reforçar essa importância, o gerente jurídico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente da Comissão Especial do Agronegócio da OAB/SP, Thiago Soares, convidou a conselheira de Administração Ana Malvestio, e o advogado, conselheiro e professor José David, para a realização de um Webinário sobre o tema, promovido pela FAESP em parceria com a Comissão Especial do Agronegócio da OAB/SP, voltado a um público amplo, composto por produtores rurais, advogados, representantes de sindicatos e demais interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre a temática. A proposta era mostrar como a governança influencia no dia a dia da atividade rural.
No contexto dos núcleos familiares, predominantes no agro brasileiro, a governança exerce um papel ainda mais relevante ao organizar a relação entre família, propriedade e gestão. Em momentos de sucesso, quando há aumento de renda, expansão de áreas ou diversificação de atividades, é comum surgirem conflitos decorrentes da falta de regras claras. A implementação de mecanismos como conselhos familiares, acordos de sócios e planos sucessórios contribui para alinhar expectativas, evitar disputas e garantir a continuidade do negócio ao longo das gerações, preservando tanto o patrimônio quanto os vínculos familiares.
“É preciso desmistificar esse tema. A governança nada mais é do que ter regras claras. Muitas vezes as três vertentes – corporativa, familiar e patrimonial – não possuem a definição dessas ações, que impactam no dia a dia e, principalmente, no futuro das empresas ou das propriedades rurais”, ressaltou Ana Malvestio.
Um dos pilares fundamentais da boa governança é a separação entre as contas pessoais e as contas corporativas, inclusive na atividade rural. Essa distinção é essencial para assegurar a saúde financeira da empresa, permitindo uma visão real dos custos, receitas e margens do negócio. Quando o produtor mistura despesas familiares com despesas produtivas, compromete a análise de resultados e dificulta o planejamento, podendo gerar endividamento desnecessário ou decisões equivocadas. Ao adotar essa prática, o produtor profissionaliza sua gestão, melhora o controle do fluxo de caixa e cria bases sólidas para o crescimento sustentável e a longevidade do empreendimento rural.
“Esse é um tema muito complexo e tenho certeza de que não se encerra nessa conversa. Principalmente em um ano em que começam as novas regras da Reforma Tributária, a gestão torna-se estratégica para o sucesso de empreendimentos”, frisou Thiago Soares.












