Fundecitrus apresentou esclarecimentos sobre a metodologia da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES)
Nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), a Comissão Técnica de Citricultura e o Departamento Econômico da Faesp estiveram reunidos para discutir os problemas da citricultura paulista e alinhar as principais estratégias para 2026. No segundo dia, a reunião contou com a participação do Fundecitrus, que esteve presente para esclarecimento de dúvidas dos membros da Comissão sobre a metodologia da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES).
A recente queda nos preços da laranja tem preocupado os citricultores paulistas, já que em muitos casos os valores recebidos mal cobrem os custos de produção. Segundo José Eduardo de Paula Alonso, engenheiro agrônomo, produtor de laranja e coordenador da Comissão Técnica de Citricultura da Faesp, existem vários fatores que explicam a queda do preço pago pela indústria, como a redução do consumo, os elevados estoques da indústria e a perspectiva de grandes safras.
Este último, foi o que levou à busca de uma aproximação entre Faesp e Fundecitrus. As entidades têm estabelecido contato para discutir melhorias no levantamento da PES, que divulga a expectativa de colheita no Cinturão Citrícola do Estado de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais, a cada ano-safra, e influencia diretamente a formação dos preços paulistas. Na pauta, também têm sido discutidas possibilidades de parcerias estratégicas em outras frentes de atuação.
Outro fator, a queda na demanda causada pela mudança no hábito de consumo de suco de frutas por brasileiros, europeus e norte-americanos, vem contribuindo muito para o recuo nas cotações. “Os jovens preferem refrigerantes ou outras bebidas ao suco de laranja, que é mais nutritivo e saboroso”, afirma Alonso. Por essa razão, a Comissão discutiu nesses dois dias a necessidade de fazer uso de estratégias de marketing para elevar o consumo no país.
Além da questão do consumo, o greening tem afetado severamente o rendimento dos pomares paulistas. A doença, ao comprometer a produção, eleva o custo de produção e pressiona ainda mais as margens do citricultor. Nesse sentido, também foi debatida a importância de compreender a formação dos custos de produção divulgados pela Conab que, segundo os membros da Comissão, não têm refletido a realidade do campo, ao não incorporar adequadamente os custos de colheita e transporte, dificultando o acesso a políticas como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (PEPRO). Diante desse cenário, a Comissão definiu importantes estratégias para 2026, dentre elas a continuidade de debate com o Fundecitrus sobre a metodologia da PES e o estabelecimento de parcerias; o incentivo ao consumo interno de laranja in natura e sucos, mediante estratégias de marketing e redução de ICMS; o fomento ao estabelecimento de novas unidades de beneficiamento e envase de suco; e a adequação do custo de produção de laranja no estado de São Paulo.













