Bovinocultura de Corte apresenta seus desafios em 2026

Reunião na CNA ouviu demandas dos estados e definiu as principais pautas de debates junto ao governo

A bovinocultura de corte é uma das bases estruturantes do agro brasileiro e desempenha papel estratégico na economia nacional. O Brasil possui um dos maiores rebanhos comerciais do mundo e se consolidou como líder global nas exportações de carne bovina. A atividade está presente em praticamente todos os estados, movimentando cadeias produtivas que vão da genética e nutrição animal à indústria frigorífica, transporte e varejo. Dentro do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, a pecuária de corte tem participação relevante e contribui de forma significativa para a geração de renda e empregos no campo e nas cidades.

Diante desse cenário, a Comissão Nacional de Pecuária de Corte, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reuniu-se para apresentar seu novo presidente, o vice-presidente e coordenador da Comissão Técnica do setor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Cyro Penna Junior, e a definição do plano de ação para 2026, coleta de contribuições das federações estaduais e atualização sobre o andamento do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos (PNIB).

Entre os principais pontos abordados estão o desabastecimento de vacinas, como raiva e brucelose; e a necessidade que todos os estados constituam e regulamentem seus fundos estaduais. A Faesp, representada na reunião pelo técnico Thiago Rocha, mencionou o desenvolvimento de um seguro complementar opcional para rebanhos de alto valor.

No comércio exterior, a carne bovina brasileira é protagonista. O país figura entre os maiores exportadores mundiais, abastecendo mercados estratégicos na Ásia, no Oriente Médio e na União Europeia. As exportações do setor representam parcela expressiva da balança comercial do agronegócio, ajudando a garantir superávits e a entrada de divisas no país. Além do peso econômico, a bovinocultura de corte tem avançado em produtividade, sustentabilidade e rastreabilidade, fortalecendo a imagem do Brasil como fornecedor competitivo e capaz de atender às exigências do mercado internacional.

Por esse protagonismo, ficaram estabelecidas algumas ações que devem ser executadas durante o ano, como o desenvolvimento de um projeto piloto para estímulo à produção de carne bovina de qualidade, com foco na melhoria da renda do produtor; monitoramento da implementação do programa de rastreabilidade individual, com conclusão prevista das etapas 1 (desenvolvimento do sistema) e 2 (integração com bases estaduais) ainda em 2026; aprofundamento das discussões sobre o Programa Nacional de Brucelose e Tuberculose (em conjunto com a Comissão de Leite), vigilância para febre aftosa (simulados, fundos estaduais/nacional, banco de vacinas) e outras enfermidades; e o acompanhamento de temas como salvaguardas da China, exportação de bovinos vivos (combate a PLs restritivos), novo regulamento da União Europeia (antibióticos e melhoradores de desempenho), bem-estar animal e proteção de dados dos produtores.

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