Audiência pública na Câmara debate epilepsia e apresenta avanços em políticas públicas de saúde

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por Thais Helena Iatecola

Vereador Professor Galdino da Unimar na tribuna da Câmara; parlamentar é autor de pedido para a realização da audiência nesta quinta (Foto: Will Rocha)

A Câmara de Marília será palco, no próximo dia 26, às 18h, de uma importante audiência pública dedicada ao debate sobre a epilepsia, suas implicações clínicas, sociais e os caminhos para a construção de políticas públicas mais efetivas voltadas ao acolhimento e tratamento dos pacientes. A iniciativa é proposta pelo vereador Professor Galdino da Unimar (Cidadania) e contará com a participação de especialistas, como neurologistas, além de pacientes em tratamento, que irão compartilhar experiências e discutir a eficácia dos cuidados oferecidos.

O encontro será realizado no Plenário e tem como objetivo ampliar o debate sobre uma condição neurológica que ainda carrega desafios importantes, especialmente relacionados ao acesso à informação, ao tratamento adequado e à inclusão social dos pacientes. De acordo com o vereador Professor Galdino, a audiência representa um momento fundamental de escuta e construção coletiva.

“Convido toda a população de Marília a participar dessa audiência pública sobre a epilepsia. Trata-se de um tema que impacta uma parcela significativa da população e que precisa ser analisado com responsabilidade. Mais do que discutir o problema, queremos construir soluções, pensar em políticas públicas efetivas e criar um ambiente mais acolhedor para o diagnóstico, tratamento e, principalmente, para a inclusão do portador de epilepsia na sociedade”, destaca.

A Universidade de Marília, que tem uma importante atuação na saúde local, apoia o projeto com uma visão multidisciplinar da discussão. “A proposta é realmente reunir diferentes perspectivas, sendo médica, social e vivencial, tudo para ampliar a compreensão sobre a epilepsia e seus reflexos no cotidiano dos pacientes e de suas famílias”, conta o vereador Professora Galdino.

Para a pró-reitora de graduação da Unimar, Fernanda Mesquita Serva, é preciso destacar iniciativas tão relevantes para a nossa cidade. “O curso de medicina da Universidade de Marília completa 30 anos de história, e ao longo dessa trajetória sempre teve como marca o pioneirismo, não apenas na formação de profissionais, mas, sobretudo, no compromisso com a vida, com a saúde e com a transformação social”, explica. Ainda segundo ela, é preciso ter um olhar especial ao cuidado das pessoas que convivem com a enfermidade.

“Sabemos que a temática da epilepsia exige um olhar ampliado e é fundamental que seja trabalhada de forma multidisciplinar e transdisciplinar, integrando diferentes áreas do conhecimento. Por isso, além da medicina, outros cursos da universidade também se somam a essa causa, fortalecendo uma atuação mais completa, humana e efetiva. Estamos muito felizes em fazer parte desse movimento e confiantes de que essa iniciativa continuará avançando, gerando impacto positivo e abrindo caminhos cada vez mais promissores para o cuidado, a inclusão e a qualidade de vida das pessoas”, complementa.

A audiência se configura como um passo importante na busca por maior conscientização, acesso à informação e fortalecimento das políticas públicas de saúde em Marília. A participação da comunidade é fundamental para ampliar o debate e contribuir para a construção de soluções que impactem diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Segundo o neurologista do HBU (Hospital Beneficente Unimar), Vinicius Herbet Sales, parceiro do projeto, o debate precisa ir além da dimensão clínica. “A epilepsia é uma condição neurológica crônica, mas que envolve também questões sociais e econômicas. Por isso, discutir esse tema dentro de um espaço onde se constroem políticas públicas é essencial para ampliar o impacto das ações e beneficiar a população”, explica.

De acordo com o especialista, estima-se que cerca de 1% da população seja acometida pela condição, o que representa, em Marília, até 2,5 mil pessoas. Desses, cerca de 30% enfrentam a chamada epilepsia refratária, que é de difícil controle e pode demandar tratamentos mais complexos, como intervenções cirúrgicas. “Ainda existe muita desinformação sobre o tema, o que contribui para um problema silencioso: a exclusão social. Crianças deixam de frequentar a escola, adultos perdem oportunidades de trabalho e famílias se sentem inseguras por falta de orientação adequada”, ressalta.

Durante a audiência, também será apresentado o projeto ComViver, uma iniciativa voltada à criação de uma rede de apoio estruturada para pacientes com epilepsia no município. A proposta prevê acompanhamento contínuo, desde o diagnóstico até o tratamento, além de suporte às famílias e ações voltadas à inclusão social. “Queremos construir uma rede que acolha esses pacientes de forma integral, oferecendo acompanhamento longitudinal e garantindo que a epilepsia não seja mais negligenciada na cidade”, completa o neurologista.

“A população está convidada a participar e contribuir com esse momento de diálogo e construção coletiva, que busca dar visibilidade a uma condição ainda cercada por desafios, mas que pode ser enfrentada com informação, acolhimento e ação conjunta”, finaliza o vereador Professor Galdino da Unimar.

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