Armazenagem é um dos principais gargalos no agronegócio

Painel em evento do Gri Institute discutiu a falta de espaço para estocagem de grãos e as alternativas ao problema

A eficiência do setor produtivo, que acumula recordes de produção, impacta na capacidade de construção de silos e armazéns para a estocagem da safra. Essa foi a conclusão do painel “Estocagem e Gestão Logística – Como superar o déficit e escalar soluções”, que reuniu o gerente do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Cláudio Brisolara; o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Guilherme Campos; o vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para a Armazenagem de Grãos (CSEAG), José Luiz Viscardi; e o diretor de Operações da Agrex do Brasil, Rafael Ughini Villarroel; com a mediação da advogada Luanda Backheuser.

Uma questão levantada durante o painel foi a falta de grandes investimentos de fundos e grandes players na construção e operação de silos. Foi comentado que isso pode parecer até uma estratégia de compra para obrigar o produtor a vender a produção no pico da colheita, quando o excesso de oferta pressiona o preço das commodities para baixo. Os altos custos de construção de equipamentos mais complexos impedem que os próprios produtores, em especial pequenos e médios, façam esse investimento.

“Essa é a dor do crescimento, já que o ritmo das soluções não consegue acompanhar a evolução das safras, que se superam a cada ano. É preciso pensar no longo prazo e investir em alternativas de armazenagem que permitam aos produtores maior eficiência de comercialização, capturando momentos oportunos de venda no mercado. Na atualidade, o grande problema é que as margens dos produtores estão reduzidas e as taxas de juros são muito elevadas, inviabilizando os investimentos”, explicou Brisolara.

Rafael Ughini Villarroel destacou que a necessidade não é apenas estrutura de física de armazenagem, mas também de recursos humanos capacitados para operar essas estruturas industriais.

Campos frisou que o governo tem buscado soluções, em parceria com a Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem, mas são ações que se estendem para além das safras, que atropelam anualmente esse planejamento. Embora seja uma demanda do Brasil inteiro, o secretário de Política Agrícola disse que os problemas são ainda maiores na Região Centro-Oeste, onde os novos horizontes agrícolas estão sendo desbravados. Questões como a eletrificação rural, que ainda não chega a todo o país, acabam impactando também nessa falta de infraestrutura.

O representante da Câmara Setorial de Equipamentos para a Armazenagem de Grãos (CSEAG), José Luiz Viscardi, concordou que é importante pensar na infraestrutura de forma mais ampla, pois a logística envolve o transporte e depende de energia, comunicação e tecnologia integrada. Ele ponderou também que a situação atual é grave e a sua resolução depende de um trabalho de longo prazo, considerando que a capacidade instalada das fábricas de silos e armazéns atualmente é de 9 milhões de toneladas por ano. Portanto, a redução do déficit de armazenagem do Brasil não é de fácil solução. Ao final do evento, todos foram unânimes em alertar que é vital para a economia nacional buscar caminhos para, pelo menos, aumentar a capacidade instalada, já que hoje cerca de 140 milhões de toneladas de grãos ficam em risco, nas carrocerias de caminhões ou em lugares improvisados. Achar a fórmula para essa equação não será fácil, mas torna-se essencial para que o setor possa continuar expandindo a produção.

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