Acordo UE-Mercosul abre nova fronteira para o agro paulista

Tratado amplia acesso ao mercado europeu, fortalece exportações do Brasil e de São Paulo e impõe novos desafios em competitividade, sustentabilidade e logística

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que já entra em vigor no dia 1º de Maio, representa um marco histórico para a economia brasileira e, em especial, para o agronegócio de São Paulo, principal potência produtiva e exportadora do país. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado abre acesso preferencial a um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores, com redução gradual de tarifas e diminuição de barreiras comerciais. Para o Brasil, a medida significa uma nova janela de expansão das exportações agropecuárias e negócios, com ganhos em competitividade, previsibilidade e diversificação de mercados.

E, muito além das oportunidades que se abrem para produtores e empresas de pequeno porte, a proposta do painel Mercosul e União Europeia – Impactos e Oportunidades para os Municípios Paulistas, no 68º Congresso Estadual de Municípios, da Associação Paulista de Municípios (APM), foi reunir lideranças e falar também dos desafios. Sob a mediação da secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Ângela Gandra, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, e o analista de Investimentos do Eurasia Group, Marcelo Alvarenga, detalharam os caminhos que se abrem o país.

“É muito importante que todos os elos da cadeia produtiva estejam contemplados nessa visão estratégica do acordo, porque ele só vale se atender a todos. É preciso encarar as dificuldades que irão se impor durante o processo e transformar os desafios em oportunidades de crescimento e negócios”, frisou Meirelles.

Em São Paulo, os impactos tendem a ser ainda mais expressivos. O estado lidera as exportações do agronegócio brasileiro e reúne cadeias estratégicas como citricultura, café, açúcar, carnes, frutas, etanol e produtos processados. Com o acordo, setores como a fruticultura já projetam forte crescimento: estimativas apontam avanço de até 40% no faturamento até 2029, impulsionado pela redução tarifária e pelo aumento da competitividade no mercado europeu. Produtos paulistas com alto valor agregado, como sucos, frutas frescas, cafés especiais e proteínas animais, ganham condições mais favoráveis para ampliar presença no exterior.

“Estamos motivando as pequenas empresas a buscarem sua contraparte em países estratégicos da Europa, a fim de dinamizar negócios e gerar renda e oportunidades de emprego”, explicou Alfredo Cotrait Neto.

As oportunidades, porém, vêm acompanhadas de desafios relevantes. O principal deles está na necessidade de adequação às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas pela União Europeia, reconhecida por seus rígidos padrões regulatórios. Para o agro paulista, isso exige investimentos em tecnologia, certificação, compliance ambiental, logística e inovação nos processos produtivos. Ao mesmo tempo, a abertura comercial pode estimular maior acesso a máquinas, equipamentos e insumos europeus, contribuindo para ganhos de produtividade e modernização do setor.

“Acho que as oportunidades estão no seu cronograma de implantação. O país está se adequando às novas regras do acordo. Esse é o primeiro dever de casa para produtores e municípios, a fim de participar de todo o processo e gerar novos empregos e renda para a população urbana e rural”, disse Alvarenga.

Mais do que um acordo comercial, o tratado UE-Mercosul se apresenta como oportunidade de reposicionamento estratégico para o Brasil e São Paulo no cenário global. Se, por um lado, ele exige adaptação e maior competitividade, por outro oferece ao mercado brasileiro, e em especial ao agropecuário, a chance de consolidar sua liderança internacional, agregar valor à produção e ampliar geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Para São Paulo, que concentra grande parte da força exportadora nacional, o momento pode representar uma nova fase de crescimento sustentado e protagonismo econômico.

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