O envelhecimento dos cães machos traz uma condição que merece atenção dos tutores: as doenças prostáticas.
De acordo com a Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA), mais de 95% dos cães não castrados com idade superior a nove anos apresentam hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo crescimento não canceroso da glândula. Entre os animais acima de cinco anos, a ocorrência chega a 80%.
Apesar de frequente, o problema nem sempre apresenta sintomas evidentes. Em alguns casos, as primeiras manifestações incluem dificuldade para evacuar, alterações na urina, presença de sangue ou secreção sanguinolenta pelo pênis e desconforto na região abdominal.
Por isso, mudanças no comportamento e nos hábitos do animal não devem ser atribuídas automaticamente à idade.
O veterinário Kauê Ribeiro, da Vetnil®, explica que a localização da próstata favorece o aparecimento de alterações intestinais quando ocorre o aumento da glândula.
Quais doenças podem afetar a próstata
A hiperplasia prostática benigna é a alteração mais comum entre os machos que não passaram pela castração. Embora não seja um tumor maligno, o crescimento da glândula pode pressionar órgãos próximos e provocar desconforto ou dificuldades para urinar e evacuar.
Outra condição que merece atenção é a prostatite, uma inflamação geralmente associada a infecções bacterianas. O quadro pode estar relacionado a alterações prostáticas anteriores e provocar febre, dor abdominal, secreção com sangue pelo pênis, dificuldade para urinar ou defecar. Em situações mais graves, podem ocorrer vômitos e diarreia.
Segundo Kauê, a identificação da origem dos sintomas exige avaliação profissional, já que diferentes doenças podem apresentar manifestações semelhantes.
A presença recorrente de sangue na urina, secreções pelo pênis, mudanças no formato das fezes e esforço para evacuar são sinais que precisam ser comunicados ao veterinário. Quando há dor intensa, impossibilidade de defecar, febre, prostração acentuada ou piora rápida do estado geral, a procura por atendimento deve ser imediata.
Exames ajudam a identificar a origem do problema
A investigação das doenças prostáticas pode envolver exame físico, palpação abdominal e retal, ultrassonografia e análises de sangue e urina. Dependendo das manifestações clínicas, o profissional também pode solicitar avaliações complementares.
A ultrassonografia é um dos recursos utilizados para verificar o tamanho e as características da próstata. No entanto, os resultados precisam ser interpretados em conjunto com o histórico do animal e os demais achados clínicos.
O tratamento varia conforme a doença identificada e a gravidade do quadro. Nos casos de hiperplasia prostática benigna, a castração costuma ser recomendada para cães que não serão utilizados para reprodução, pois interrompe o estímulo hormonal associado ao crescimento da glândula.
O procedimento, entretanto, não representa proteção contra todas as doenças prostáticas, especialmente o câncer. Por isso, a decisão deve considerar as condições individuais de cada paciente.
Prevenção começa antes dos primeiros sintomas

As consultas periódicas são importantes em todas as fases da vida, mas ganham ainda mais relevância conforme o cão envelhece. O acompanhamento permite observar possíveis alterações, investigar sintomas e estabelecer estratégias de cuidado adequadas, inclusive para animais que não apresentam sinais aparentes.
A campanha Novembro Azul Pet reforça justamente a importância da atenção à saúde dos machos e da realização de avaliações veterinárias regulares.














