Comissão de Bovinocultura de Leite debate mercado, importações, defesa comercial e sanidade animal, além de propor circuito de seminários regionais para 2027
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reforçou a importância da defesa comercial, da sanidade animal e da qualificação dos produtores para fortalecer a competitividade da cadeia leiteira paulista. Os temas estiveram no centro da reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, realizada virtualmente na terça-feira (13), sob a coordenação de Luiz Otávio Motta, presidente do Sindicato Rural de Piraju. O encontro reuniu representantes da Faesp, do Senar e da Diretoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
Em 2025, o Brasil alcançou a produção recorde de 36,7 bilhões de litros de leite, enquanto São Paulo produziu 1,5 bilhão de litros, o equivalente a 4,1% do total nacional. Apesar da redução do rebanho paulista, a produtividade por vaca cresceu 8,3% no último ano, demonstrando avanços na eficiência produtiva. Entre fevereiro e agosto de 2026, o preço pago ao produtor registrou recuperação de aproximadamente 35%, mas o setor continua enfrentando desafios relacionados aos custos e à concorrência dos produtos importados.
Um dos pontos da reunião foi o impacto das importações de leite em pó, especialmente da Argentina e do Uruguai, sobre o mercado brasileiro. São Paulo recebe aproximadamente um terço do volume importado pelo País, situação que reforça a necessidade de instrumentos de defesa comercial para assegurar condições equilibradas de concorrência. O estado possui um rebanho leiteiro avaliado pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) entre 1 milhão a 1,2 milhão de cabeças.
A Comissão acompanhou os desdobramentos do processo antidumping conduzido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no qual o governo federal já reconheceu a prática de dumping, embora a aplicação das tarifas permaneça suspensa durante a avaliação de interesse público, cujas manifestações finais podem ser enviadas até 26 de outubro. Também foi discutida a tramitação do Projeto de Lei nº 24/2026, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que proíbe a reconstituição de leite em pó importado. A proposta, que recebeu contribuições técnicas da Faesp, já obteve pareceres favoráveis nas comissões de Constituição e Justiça e de Atividades Econômicas e aguarda análise da Comissão de Finanças. Em ambos os casos, a Faesp mantém o acompanhamento das tramitações, buscando preservar o bovinocultura leiteira.
A sanidade animal também ocupou espaço central nas discussões, com a participação do médico-veterinário Breno Moscheta Welter, da Defesa Agropecuária estadual, que apresentou resultados preliminares do inquérito sanitário de 2024. Os dados indicam redução expressiva da brucelose em São Paulo, resultado das campanhas de vacinação, enquanto a tuberculose bovina permanece em patamar estável. A Faesp apresentou propostas elaboradas nos workshops nacionais da CNA para o aprimoramento do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Entre as dificuldades apontadas pelos representantes do setor estão a indisponibilidade de tuberculina em frascos com menor número de doses e a escassez de médicos-veterinários habilitados para a realização de diagnósticos em determinadas regiões. Como encaminhamento, ficou acertada a realização de uma agenda técnica conjunta entre a Federação e a Defesa Agropecuária para aprofundar as discussões e buscar soluções.
Outro destaque foi a apresentação do Conexão Leite Paulista, proposta de circuito de seminários regionais e visitas técnicas a propriedades-modelo nas principais bacias leiteiras do estado, com previsão de realização em 2027. A iniciativa visa aproximar a Faesp e o Senar dos produtores, especialmente pequenos e médios, levando informações sobre mercado, gestão, sanidade, produtividade e tecnologias capazes de melhorar os resultados econômicos das propriedades. O projeto também deverá funcionar como espaço de diálogo para identificar as demandas específicas de cada região e fortalecer a integração entre produtores, Sindicatos Rurais e instituições do setor.













