Cachorros sentem ciúme? Entenda o que diz a ciência

Quem tem cachorro provavelmente já presenciou uma cena curiosa: basta fazer carinho em outro animal ou dar atenção a alguém para o pet se aproximar, tentar interromper a interação ou demonstrar agitação. Mas será que os cães realmente sentem ciúme ou estamos atribuindo sentimentos humanos aos animais?

Segundo o médico-veterinário Brenno Neves, da Plamev, embora existam pesquisas sobre o tema, ainda não é possível afirmar que os cães experimentem o ciúme da mesma maneira que os humanos.

“Os cães podem apresentar comportamentos que lembram o ciúme, mas isso não significa necessariamente que estejam sentindo a mesma emoção que nós. Muitas vezes, essas reações estão relacionadas à busca por atenção, insegurança ou competição por recursos”, explica.

Estudos publicados nas revistas científicas PLOS ONE e Animal Cognition investigaram as reações dos cães quando seus tutores direcionavam atenção a outros animais. Embora tenham identificado comportamentos associados ao ciúme, os resultados ainda não permitem estabelecer com segurança a natureza dessa emoção.

A chegada de um bebê, de um novo parceiro ou de outro animal à família também pode provocar mudanças no comportamento do cachorro. Isso acontece porque alterações na rotina e na atenção recebida podem gerar estresse, ansiedade ou insegurança.

“Nem toda mudança de comportamento deve ser interpretada como ciúme. É importante observar o contexto e entender o que está provocando aquela reação”, destaca Brenno.

O veterinário alerta que alguns comportamentos exigem atenção especial, principalmente quando envolvem rosnados, tentativas de afastar outros animais, exposição dos dentes ou mordidas.

“Quando existe agressividade, precisamos investigar a causa. O animal pode estar tentando proteger um recurso importante para ele, como alimento, espaço ou acesso ao tutor. Tratar tudo como ciúme pode fazer com que sinais de alerta sejam ignorados”, afirma.

Para evitar conflitos, a recomendação é manter uma rotina previsível, oferecer atenção equilibrada e reforçar comportamentos tranquilos. A introdução de novos animais ou pessoas ao ambiente também deve acontecer gradualmente.

“O mais importante é não reforçar comportamentos indesejados e respeitar o tempo de adaptação de cada animal. Quando há sinais persistentes de ansiedade, medo ou agressividade, a orientação de um veterinário especializado em comportamento é fundamental”, conclui Brenno Neves.

Referências científicas: Harris e Prouvost (2014), PLOS ONE; Prato-Previde e colaboradores (2018), Animal Cognition.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *