A relação entre crianças e animais de estimação pode ir além das brincadeiras e dos momentos de carinho. Situações comuns, como observar o comportamento de um cachorro, conversar sobre as atitudes de um gato ou respeitar o espaço do animal, podem oferecer oportunidades de aprendizado durante a infância.
Um estudo publicado na revista científica BMC Pediatrics, com apoio do Instituto WALTHAM, centro de pesquisa ligado à Mars, identificou associações entre a convivência com pets e aspectos do desenvolvimento infantil. Entre os resultados, crianças de cinco anos que tinham animais de estimação apresentaram melhores indicadores relacionados à compreensão da linguagem. Já entre as de três anos, foi observada uma associação maior com comportamentos pró-sociais, como compartilhar e cooperar.
Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que os resultados não comprovam que a presença de um animal provoque essas mudanças. O desenvolvimento infantil também é influenciado pelo ambiente familiar e por outros fatores. Ainda assim, os dados ajudam a compreender como a convivência com os pets pode estar relacionada a experiências importantes para os pequenos.
“Um animal de estimação faz parte de muitas situações espontâneas da rotina. A criança conversa sobre o que o cachorro está fazendo, tenta entender por que o gato está se escondendo, chama alguém para participar de uma brincadeira ou aprende a reconhecer quando o animal quer espaço. Essas pequenas interações podem criar oportunidades de comunicação, cooperação e atenção às necessidades do outro”, explica Jéssica Yoshida, do time de Credibility da Mars Pet Nutrition.
Como aproveitar a convivência para estimular o aprendizado
As interações do dia a dia podem ser aproveitadas pelos adultos para incentivar a comunicação, a observação e o cuidado com os animais. Confira cinco maneiras de fazer isso:
Estimule a observação
Durante uma brincadeira, pergunte à criança como ela acha que o animal está se sentindo ou o que determinado comportamento pode significar. A proposta é ajudá-la a prestar atenção aos sinais do pet, sempre respeitando seus limites.
Converse sobre a rotina do animal
Falar sobre o que o cachorro está fazendo, por que o gato se escondeu ou como o pet reage a determinada situação pode incentivar a criança a descrever acontecimentos, fazer perguntas e ampliar as formas de se comunicar.
Ensine a respeitar os limites
Se o animal se afastar ou demonstrar que não quer brincar, explique à criança que ele precisa de espaço. Esse tipo de situação permite conversar sobre respeito, cuidado e atenção às necessidades dos outros.
Inclua a criança nos cuidados
De acordo com a idade, ela pode ajudar a guardar os brinquedos do pet ou acompanhar um adulto durante os cuidados diários. As atividades devem ser adequadas à faixa etária e supervisionadas, sem transferir à criança a responsabilidade pelo animal.
Transforme as brincadeiras em momentos de troca
Brincadeiras acompanhadas por um adulto podem ajudar a criança a aprender a esperar, observar as reações do pet e perceber quando é hora de parar. O importante é garantir que a interação seja agradável e segura para ambos.
Bem-estar deve vir em primeiro lugar
Embora a pesquisa aponte associações entre a convivência com animais e determinados aspectos do desenvolvimento infantil, a presença de um pet não garante esses resultados. A forma como a relação acontece e as necessidades de cada criança e animal também precisam ser consideradas.
“A relação acontece dentro de uma realidade familiar específica, e cada criança e cada animal têm necessidades diferentes. O mais importante é que essa convivência seja responsável, segura e positiva para os dois, sempre com a supervisão de um adulto. Também importante lembrar que a responsabilidade pelos cuidados com o animal é sempre dos adultos da casa”, complementa Jéssica.













