Reunião da Comissão Técnica de Avicultura e Suinocultura reuniu setor produtivo, Defesa Agropecuária e a experiência de Mato Grosso, e definiu a criação de grupos de trabalho para propor um modelo.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) promoveu, no último dia 30 de setembro uma reunião virtual da Comissão Técnica de Avicultura e Suinocultura dedicada à proteção financeira dos produtores diante de emergências sanitárias. O encontro reuniu representantes da Diretoria de Defesa Agropecuária (CDA/SAA), da Associação Paulista de Avicultura (APA), da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) e da Associação Mato-grossense de Avicultura (AMAV).
O debate partiu de uma experiência exitosa. A bovinocultura paulista já conta com fundo indenizatório estadual, criado a partir de um longo trabalho da Federação. Aves e suínos, por outro lado, seguem sem cobertura específica. O tema ganhou urgência depois que o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou que a influenza aviária não é passível de indenização pela União.
A Faesp apresentou um panorama do peso econômico das duas cadeias. São Paulo responde por cerca de 25% da produção nacional de ovos de consumo e 12% do abate de frangos, além de abrigar uma suinocultura independente e altamente tecnificada. A Federação também compartilhou percepções dos exercícios de emergência zoossanitária realizados em Bastos e em Campo Grande (MS).
“A questão hoje não é se vai acontecer, mas quando, e o que vai ser feito“, afirmou a coordenadora Cristina Nagano. Ela alertou que a ausência de indenização pode desestimular a notificação de suspeitas pelos produtores.
Experiências e caminhos
A CDA apresentou as ações de vigilância da influenza aviária no estado de São Paulo. Entre elas estão o monitoramento integral dos 880 km do litoral paulista, o atendimento a notificações em até 12 horas e o cadastro anual de 1.500 a 2.000 novas criações de subsistência. O órgão também detalhou o funcionamento do fundo da bovinocultura.
A AMAV relatou o modelo adotado em Mato Grosso: um seguro sanitário privado, custeado por contribuição voluntária dos associados, com apólice anual para indenização e reserva para contenção de focos.
A APA e a APCS manifestaram apoio à criação de um instrumento de proteção e apresentaram propostas preliminares de contribuição para cada segmento. “Chegou a hora, não dá mais para adiar esse assunto“, resumiu Waldomiro Ferreira, da APCS.
A Faesp propôs avaliar a inclusão de aves e suínos no fundo público já existente, por meio de alteração legislativa. Para a Federação, a contribuição universal é essencial, pois a doença não distingue produtores associados dos não associados.
Como resultado, serão criados dois grupos de trabalho, um para a avicultura e outro para a suinocultura, com representantes da Faesp, das entidades setoriais e da CDA. Os grupos terão cerca de dois meses para apresentar estudos de dimensionamento e uma proposta de modelo.
A pauta incluiu ainda a apresentação do Projeto CADEC Brasil, iniciativa da Federação, do Senar-SP e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que apoia tecnicamente cinco Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração no estado, alcançando 943 produtores integrados. O médico-veterinário Maicon Blanco, consultor do projeto, destacou o uso de dados zootécnicos para qualificar o diálogo entre integrados e integradoras, em benefício mútuo da cadeia.
“A Faesp coloca à disposição todo o seu corpo técnico para que o setor chegue à melhor solução“, concluiu o diretor Márcio Vassoler no encerramento.













