Dirofilariose pode ameaçar o coração de cães e gatos

O Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a saúde do coração, também pode ser um momento para lembrar que os animais estão sujeitos a doenças que afetam o sistema cardiovascular.

Entre elas está a dirofilariose, conhecida como “doença do verme do coração”, uma infecção transmitida por mosquitos que pode comprometer a circulação e provocar complicações graves em cães e gatos.

Causada pelo parasita Dirofilaria immitis, a doença pode permanecer silenciosa durante boa parte de sua evolução. A transmissão ocorre quando um mosquito infectado pica o animal e introduz formas imaturas do parasita em seu organismo. Com o tempo, os vermes se desenvolvem e podem se alojar nas artérias pulmonares e no coração.

Segundo Paula Pinheiro, veterinária e coordenadora de Serviços Técnicos da linha de antiparasitários da Zoetis Brasil, a evolução silenciosa está entre os principais desafios relacionados à doença.

“Quando a dirofilariose avança, os vermes adultos se alojam nas artérias pulmonares e no coração, prejudicando a circulação sanguínea e comprometendo progressivamente a saúde cardiovascular do pet. Em quadros mais graves, a doença pode trazer complicações importantes e colocar a vida do animal em risco. Por isso, a prevenção é tão importante: ela ajuda a evitar que chegue a esse estágio da doença”, explica.

Como acontece a transmissão

A infecção depende da participação de mosquitos. Ao picar um animal contaminado, o inseto pode ingerir formas imaturas do parasita e, posteriormente, transmiti-las para outro animal durante uma nova picada.

Mais de 70 espécies de mosquitos podem participar desse ciclo, incluindo insetos dos gêneros Aedes, Culex e Ochlerotatus. Por esse motivo, o risco não está necessariamente restrito a locais específicos.

A associação da dirofilariose com regiões litorâneas é comum, mas a doença também pode representar preocupação em outras áreas. Viagens, mudanças de cidade e passeios em locais com maior presença de mosquitos são fatores que devem ser considerados na avaliação individual de cada animal.

“É comum associar o verme do coração apenas às regiões litorâneas, mas essa percepção pode levar à falsa sensação de segurança. A recomendação é avaliar individualmente cada animal, considerando onde vive, os lugares que frequenta e para onde viaja. A prevenção precisa acompanhar o estilo de vida do animal”, afirma Paula.

Doença pode passar despercebida

Um dos principais problemas da dirofilariose é que os primeiros estágios da infecção podem não provocar alterações perceptíveis. O animal pode parecer saudável enquanto o parasita continua se desenvolvendo em seu organismo.

Os sinais tendem a aparecer conforme a doença avança e o sistema cardiovascular e respiratório passa a ser afetado. Tosse persistente, cansaço, menor tolerância a exercícios, dificuldade para respirar e perda de peso estão entre as manifestações que podem ocorrer.

A intensidade dos sintomas varia conforme o estágio da infecção e as condições de saúde do animal. Por isso, mudanças persistentes no comportamento ou na disposição do pet devem ser investigadas por um médico-veterinário.

Cães e gatos podem ser afetados

Os cães são considerados os principais hospedeiros da Dirofilaria immitis, mas os gatos também podem desenvolver a doença. Neles, a infecção pode apresentar características diferentes e, em alguns casos, até mesmo manifestações respiratórias associadas à presença do parasita.

A avaliação do risco deve levar em conta fatores como o local onde o animal vive, os ambientes que frequenta, viagens realizadas e a presença de mosquitos na região.

Mesmo animais que passam a maior parte do tempo dentro de casa não estão necessariamente livres da exposição. Mosquitos podem entrar nos ambientes domésticos e realizar a transmissão.

Atenção aos sinais

Como a doença pode evoluir de maneira discreta, os responsáveis devem ficar atentos a alterações que apareçam ao longo do tempo. Tosse recorrente, dificuldade respiratória, cansaço fora do habitual, perda de peso e redução da disposição para atividades que antes eram realizadas normalmente merecem avaliação.

Nos casos mais avançados, a dirofilariose pode provocar alterações importantes na circulação e comprometer o funcionamento do coração e dos pulmões.

Por isso, a identificação dos fatores de risco e o acompanhamento veterinário são importantes para que cada animal tenha uma estratégia de prevenção adequada às suas características e à rotina.

Prevenção começa com avaliação veterinária

A prevenção da dirofilariose deve considerar a realidade de cada pet. O médico-veterinário pode avaliar idade, histórico, região onde o animal vive, frequência de viagens e exposição a ambientes com mosquitos para indicar os cuidados necessários.

Antes de iniciar ou modificar qualquer protocolo preventivo, também pode ser recomendada uma avaliação clínica. Dependendo da situação, exames podem ser solicitados para verificar se existe infecção.

“A existência de diferentes opções permite que o médico-veterinário, junto ao responsável, estabeleça o protocolo mais adequado para cada animal. O ponto fundamental é garantir a continuidade da proteção ao longo de todo o ano, evitando lacunas no cuidado preventivo”, destaca Paula.

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