Entidade apoia ofensiva institucional da CNA junto ao Ministério das Relações Exteriores e ao Senado Federal, cobrando negociação de prazos e alertando para os desequilíbrios econômicos impostos pela barreira unilateral ao agro paulista e nacional
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) expressa preocupação com a decisão da União Europeia de suspender a entrada de produtos brasileiros de origem animal sob a alegação de exigências de rastreabilidade e controle de antimicrobianos. Uma medida unilateral que impõe barreiras desproporcionais a um setor que é referência global em sanidade, rastreabilidade e rigor de fiscalização.
A decisão ocorre em um momento contraditório, logo após os avanços diplomáticos em torno do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que teve início em maio, ferindo o princípio de cooperação e confiança mútua esperado entre parceiros estratégicos.
O embargo gera um impacto severo no equilíbrio das cadeias produtivas. A pecuária nacional opera com cortes complementares em mercados distintos: enquanto o dianteiro abastece destinos como China e Estados Unidos, a Europa é o principal destino de cortes nobres do traseiro, de alto valor agregado.
A interrupção súbita desse fluxo desorganiza a cadeia de valor, prejudica o produtor rural e afeta a geração de divisas em um momento fiscal desafiador, no qual o agronegócio é pilar essencial para o superávit comercial e o equilíbrio das contas públicas brasileiras.
Diante do cenário, a Faesp soma esforços e segue a diretriz estabelecida pela CNA, cujo presidente, João Martins, acionou formalmente o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, senador Nelsinho Trad.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, reforça que a prioridade deve ser a construção de pontes diplomáticas e técnicas:
“O caminho legítimo é a negociação, o diálogo comercial e a diplomacia. Precisamos de uma ação articulada entre o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Agricultura e o Senado Federal para reunir as autoridades europeias e pactuar prazos viáveis de transição e adequação, evitando rupturas drásticas que punem injustamente quem produz com qualidade e sustentabilidade.”
Caso as vias de entendimento bilateral não prosperem, a entidade subscreve a necessidade de o governo brasileiro avaliar a aplicação dos instrumentos de defesa comercial e do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previstos no âmbito do acordo Mercosul-União Europeia, assegurando reciprocidade e preservando a soberania produtiva do Brasil. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo seguirá acompanhando os desdobramentos de perto e trabalhando na defesa da competitividade e da dignidade do produtor rural paulista e brasileiro.













